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Envio de tropas da Otan à Ucrânia seria ‘imprudente’, diz Kremlin

Governo polonês pretende enviar proposta formal para missão durante cúpula em Bruxelas na próxima quinta-feira, apesar de negativas de chefe da aliança

Por Caio Saad Atualizado em 23 mar 2022, 09h24 - Publicado em 23 mar 2022, 09h14

O envio à Ucrânia de uma missão de manutenção da paz por forças da Otan seria “muito imprudente” e “extremamente perigoso”, alertou o porta-voz do governo russo nesta quarta-feira, 23. Segundo Dmitry Peskov, “qualquer possível contato entre nosso Exército e o Exército da Otan pode levar a consequências bastante compreensíveis que são difíceis de ser reparadas”.

Na semana passada, o vice-primeiro-ministro da Polônia, Jaroslaw Kaczynski, pediu uma missão internacional de manutenção da paz após um encontro de líderes da Ucrânia, Polônia, Eslovênia e República Checa.

O governo de Varsóvia pretende enviar uma proposta formal para a missão durante cúpula da Otan em Bruxelas na próxima quinta-feira. Segundo embaixador polonês nos Estados Unidos, Marek Magierowski, a aliança militar ocidental precisa considerar “todas as possibilidades” para mandar “um sinal muito claro ao Kremlin”.

Além desta proposta, os ministros das Relações Exteriores e Defesa da União Europeia aprovaram na segunda-feira 21 uma nova estratégia de segurança destinada a aumentar a influência militar do bloco, estabelecendo uma força de reação rápida de até 5.000 soldados em casos de crise. É esperado que os líderes do bloco aprovem a iniciativa já no final da semana, entre os dias 24 e 25.

Apesar da pressão polonesa, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou na semana passada, após uma reunião extraordinária dos ministros da Defesa da aliança, que “não há planos de destacar tropas” em território ucraniano.

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Na reunião, convocada para avaliar o reforço imediato da segurança dos membros da aliança militar no leste da Europa e os planos para fortalecer sua postura militar no futuro diante da ameaça russa, os ministros tiveram a oportunidade de comentar a proposta polonesa de enviar tropas à Ucrânia em uma missão de manutenção da paz para garantir a retirada de civis através de corredores humanitários.

“O que precisamos é de paz na Ucrânia, e é por isso que a Rússia e o presidente Putin têm que parar a guerra e retirar suas Forças Armadas”, declarou o político norueguês, acrescentando que o bloco militar apoia “todos os esforços para encontrar uma solução negociada, todos os esforços para uma solução diplomática”.

Stoltenberg também falou sobre a possibilidade de a Ucrânia não aderir à Otan. De acordo com ele, “a mensagem é a mesma que tem sido durante anos”: que a Ucrânia é um país soberano com o direito “de escolher seu próprio caminho”, e que “não cabe à Rússia” decidir por ela.

Na semana passada, em meio às negociações para o fim do conflito provocado pela invasão da Rússia, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmo que seu país precisa entender que “a porta da Otan não está aberta” para admissão. A fala do presidente ucraniano é a mais clara sobre o tema, principal ponto de embate entre Moscou e Kiev.

As exigências de Moscou para encerrar a invasão ao país vizinho, que teve início em 24 de fevereiro, foram explicitadas recentemente quando o porta-voz Dmitry Peskov listou as condições para que a Rússia interrompa suas operações militares na Ucrânia. Em entrevista à agência Reuters, Peskov disse que o Kremlin exige que Kiev encerre sua ação militar, mude sua Constituição para a neutralidade, de modo que o país garanta que jamais irá fazer parte da Otan ou da União Europeia, e reconheça a independência das regiões de Donetsk e Luhansk, além de enxergar a Crimeia como um território russo.

Moscou chama sua incursão de “operação militar especial” para desarmar a Ucrânia e desalojar líderes que chama de “neonazistas”. Kiev e seus aliados ocidentais dizem que se trata de um pretexto para uma guerra não provocada contra um país democrático de 44 milhões de pessoas.

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