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De engenheira a Nobel da Paz: quem é María Corina Machado

Líder opositora venezuelana que bate de frente com Nicolás Maduro foi reconhecida por sua luta pela democracia e os direitos humanos

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 out 2025, 08h14 • Atualizado em 10 out 2025, 08h24
  • A líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2025 nesta sexta-feira, 10, em reconhecimento por sua luta pela democracia e pelos direitos humanos, consolidando-a como uma das figuras mais influentes da América Latina.

    Nascida em 7 de outubro de 1967, em Caracas, em uma família rica ligada à indústria siderúrgica venezuelana, suas raízes se encontram na elite empresarial do país, o que influenciou sua formação em prestigiosas instituições privadas. Formou-se em Engenharia Industrial pela Universidade Católica Andrés Bello em 1989, com especialização em Finanças pelo Instituto de Estudos Superiores e em em políticas públicas pela Universidade Yale, nos Estados Unidos.

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    Antes de ingressar na política, seguiu carreira na área empresarial. Sua formação técnica e experiência no setor privado moldaram sua visão liberal da economia e sua defesa do livre mercado, princípios que mais tarde se tornariam fundamentais para seu discurso político. Mas também começou a se envolver com ações sociais desde cedo. Em 1992, fundou a Fundação Atenea, que trabalha em benefício de crianças de rua em Caracas.

    Machado foi casada com o empresário Ricardo Sosa Branger de 1990 a 2001, relação que lhe gerou três filhos: Ana Corina, Ricardo e Henrique. Por aproximadamente uma década, ela manteve um relacionamento discreto com o advogado Gerardo Fernández, embora tenha mantido sua vida pessoal longe dos holofotes da mídia, concentrando-se em sua atividade política.

    Seus três filhos vivem no exterior por motivos de segurança, uma situação que reflete as tensões políticas e os riscos que a família enfrenta devido à sua oposição a Maduro. “Tirei meus filhos daqui anos atrás, porque comecei a receber ameaças de morte. Sinto culpa por não poder estar presente na vida deles. É como se estivesse falhando como mãe. Mas sair daqui não dá. Num momento como este, não posso deixar para trás a luta pela democracia”, disse ela em entrevista a VEJA no ano passado.

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    O ponto de virada em sua vida ocorreu durante a crise política de 2002, quando a Venezuela vivia uma profunda polarização sob o governo de Hugo Chávez. Naquele ano, ela fundou a Súmate, uma organização da sociedade civil que se tornou um ator fundamental na defesa do direito ao voto e na promoção de mecanismos de participação cidadã.

    A Súmate organizou a coleta de assinaturas para o referendo revogatório de 2004 contra Hugo Chávez, um processo que gerou enorme controvérsia e colocou Machado no centro do debate político nacional. O governo chavista a acusou de receber financiamento estrangeiro e conspirar contra o Estado, acusações que ela sempre negou. Essa experiência a tornou uma figura antagonista ao regime e visível para a oposição.

    Em setembro de 2010, María Corina Machado foi eleita para a Assembleia Nacional com o maior número e margem de votos entre todos os deputados naquela disputa. Sua atuação parlamentar foi marcada por discursos contundentes e confrontos diretos com representantes do chavismo, o que lhe rendeu reconhecimento como uma das vozes mais combativas da oposição.

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    Em 2011, na estreia como congressista, ela interrompeu um discurso do então presidente Chávez para denunciar a erosão da democracia na Venezuela. Irritado, ele desdenhou: “Sugiro que ganhe as primárias para discutir comigo. Águias não caçam moscas”. Corina não abandonou o ringue e, nos últimos anos, conseguiu o feito de unir a oposição sempre esfacelada, tornando-se a principal rival de Nicolás Maduro no pleito presidencial de julho passado.

    O Supremo, porém, a tornou inelegível por uma suposta ocultação de bens — um déjà vu para quem já havia sido destituída do cargo no Congresso em 2014. “Foi uma decisão arbitrária. Maduro controla todos os órgãos públicos”, afirmou na época a VEJA. Apesar dessa proibição, Machado venceu as primárias da oposição com apoio esmagador, tornando-se a figura incontestável do movimento anti-Chávez.

    Ao longo da carreira política, Machado denunciou sistematicamente as violações de direitos humanos, a corrupção e a deterioração das instituições democráticas na Venezuela. Ela fundou o partido Vente Venezuela em 2013, sigla de orientação liberal-econômica que se tornou sua principal plataforma política. Seu estilo confrontacional, a rejeição absoluta ao modelo socialista e sua recusa em negociar com o governo a diferenciaram de outros líderes da oposição mais moderados. Essa postura gerou tanto admiração fervorosa quanto críticas por sua inflexibilidade.

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    “Sou liberal. Esta é uma filosofia de vida, para além da política. A Venezuela tem potencial para se tornar o centro energético das Américas, o que nunca acontecerá com alguém como Maduro. Quero restaurar o Estado democrático de direito para atrair investimentos e fazer com que o princípio da propriedade privada volte a vigorar”, afirmou a VEJA.

    Diante da impossibilidade de concorrer às eleições no ano passado, ela usou sua capacidade de mobilizar milhões de venezuelanos, incluindo a diáspora, para apoiar a candidatura de Edmundo González Urrutia, mantendo seu papel de líder moral e estrategista da campanha da oposição. O regime declarou a vitória de Maduro, apesar de evidências contrárias e das amplas acusações de fraude.

    Hoje, Machado é uma figura profundamente polarizadora na Venezuela. Para seus seguidores, ela representa a resistência incorruptível à ditadura, uma líder corajosa disposta a sacrificar tudo pela democracia. Seus críticos, por outro lado, apontam-na como representante da elite econômica desconectada das necessidades do povo e a acusam de promover posições políticas extremas.

    “Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz principalmente por seus esforços para promover a democracia na Venezuela. Mas a democracia também está em declínio internacionalmente. A democracia – entendida como o direito de expressar livremente a própria opinião, votar e ser representado em governos eleitos – é a base da paz tanto dentro dos países quanto entre eles”, declarou o Comitê Norueguês do Nobel.

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