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Cúpula do Mercosul elege combate à crise como objetivo

Boa parte do foco da reunião do bloco, porém, estará na pressão da Venezuela por sua adesão plena, bloqueada há cinco anos pelo Congresso do Paraguai

Por Da Redação - 20 dez 2011, 14h45

A criação de um mecanismo de proteção comercial para os países do Mercosul enfrentarem a crise econômica mundial é o objetivo mais amplo da cúpula dos países do bloco, que ocorre nesta terça-feira, em Montevidéu, no Uruguai. Mas a pauta da 42ª reunião dos chefes de estado de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (membros plenos), além de Venezuela e Equador (membros associados), deve ser dominada por antigas discussões, como a adiada inclusão da Venezuela como quinto membro pleno e assimetrias regionais. A única garantia é a assinatura de um acordo de livre comércio com a Palestina.

Apoiado pela Argentina, o Brasil patrocina a elevação da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) de até 200 produtos que cada país julgar mais sensíveis à concorrência dos importados. Definida como defesa comercial pelo Mercosul, a medida permitiria elevar a taxa de importação de um produto de fora do bloco em até 35% – o máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Atualmente, o Brasil tem uma lista de exceção com 100 produtos, mas nem todos são taxados com o percentual máximo da OMC. A proposta do país é o Mercosul autorizar a entrada de mais 100 na lista.

Os ministros da área econômica do bloco, entre eles o brasileiro Guido Mantega, já se reuníram nesta segunda-feira para tentar amarrar o acordo. “Concluímos que se a crise continuar, não existem os mesmos instrumentos que havia em 2008 para serem postos em ação”, declarou Mantega, referindo-se à crise da dívida americana, desencadeada pela quebra do banco Lehman Brothers. “Haverá uma dificuldade maior dos países avançados para implementar medidas de estímulo às suas economias. A tendência é que as economias avançadas continuem em estado de letargia, numa anemia profunda”, afirmou. De acrodo com o ministro, a preocupação dos países do Mercosul é serem afetados por “falta de crédito e de fluxo de capitais” – por isso, a adoçõa de medidas protecionistas.

Hugo Chávez cumprimenta o presidente uruguaio, José Mujica: rumores sobre saúde
Hugo Chávez cumprimenta o presidente uruguaio, José Mujica: rumores sobre saúde VEJA

Venezuela – Apesar da crise econômica mundial ser o principal foco da cúpula, a presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, deve desviar as atenções para um impasse regional. Após confirmar sua presença na reunião apenas no dia anterior, Chávez chegou ao Uruguai nesta terça-feira para pressionar a adesão de seu país ao Mercosul. Em sua primeira viagem oficial desde junho, quando passou por uma cirurgia para remover um câncer na próstata e cólon, ele pretende dissipar os rumores sobre sua saúde – embora Chávez tenha se declarado curado do câncer, a doença teria se espalhado com metástase nos ossos.

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Na pauta oficial do presidente, estará um apelo ao Congresso paraguaio, o único que não ratificou o ingresso venezuelano no Mercosul. O argumento de Chávez será a economia dos menores países do bloco, que costumam reclamar de desvantagens em relação a Brasil e Argentina. Segundo Chávez, se a Venezuela for plenamente incorporada ao Mercosul, Paraguai e Uruguai poderão vender seus produtos ao país. Desde 2006 a Venezuela pleiteia seu ingresso completo, mas uma parcela de parlamentares paraguaios não aceita a inclusão venezuelana. Na noite de segunda-feira, Chávez atribuiu a demora a “um grupo de direita do Paraguai”.

Além da Venezuela, o Equador pedirá oficialmente na reunião desta terça a sua inclusão no bloco regional como membro pleno. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, o pedido vai estimular uma discussão sobre a a modernização dos mecanismos institucionais do Mercosul, para acelerar as adesões de novos integrantes.

Livre comércio – Na reunião desta terça, os países do Mercosul assinarão um acordo de livre comércio com a Palestina, semelhante ao firmado em 2007 com Israel. O bloco também deve emitir uma declaração sobre a importância da estabilidade democrática no Oriente Médio, com princípios para atuação dos países sul-americanos diante de ameaças à ordem constitucional na região.

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