Oferta Mês dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 29,90

Como Marco Rubio, crítico de Lula, insufla a escalada entre EUA e Brasil

O secretário de Estado americano está por trás da política externa agressiva para a América Latina e é uma das vozes mais duras em Washington contra o petista

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 ago 2026, 16h22
Como Marco Rubio, crítico de Lula, insufla a escalada entre EUA e Brasil Priorizar nos meus resultados Google

A crise entre o governo de Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um rosto em Washington: o do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Responsável pela diplomacia dos Estados Unidos, ele se tornou um dos principais interlocutores nas negociações com Brasília — e não esconde a inimizade com o petista.

O próprio Lula já reconheceu o peso de Rubio na condução da relação bilateral. Em meio às negociações com Washington, o presidente brasileiro reclamou que o secretário de Estado “faz as coisas diferente daquilo que a gente conversa com Trump”. A declaração expôs uma diferença na estratégia americana: embora o presidente americano mantenha aberta a possibilidade de um diálogo direto com o Planalto, Rubio assumiu parte importante da interlocução e da pressão sobre o governo brasileiro.

A influência do secretário, porém, vai muito além do Brasil. Filho de imigrantes cubanos e conhecido por sua postura anticastrista, Rubio construiu a carreira política com forte atuação sobre a América Latina. Antes de chegar ao Departamento de Estado, foi senador pela Flórida por mais de uma década e se tornou uma das principais vozes republicanas sobre a região. Nesse período, fez do combate aos regimes esquerdistas de Cuba, Venezuela e Nicarágua uma das marcas de sua atuação.

Segurança nacional

No segundo mandato de Trump, essa experiência ganhou uma dimensão inédita. Além de secretário de Estado, Rubio passou a acumular a função de conselheiro de segurança nacional, tornando-se uma das figuras mais influentes da política externa americana e um dos principais responsáveis pela estratégia de Washington para o Hemisfério Ocidental.

Continua após a publicidade

O exemplo mais contundente dessa política está na Venezuela. Em janeiro, forças americanas capturaram Nicolás Maduro em uma operação ordenada por Trump e o levaram preso para os Estados Unidos. Rubio foi um dos principais porta-vozes da Casa Branca na defesa da ação e sustentou que a operação não representava uma guerra a Caracas, mas uma ofensiva contra organizações ligadas ao narcotráfico.

A captura de Maduro se tornou um dos principais símbolos da política externa do segundo governo Trump. Desde então, o secretário passou a desempenhar papel central na condução da política americana para a Venezuela, participando das discussões sobre a transição política e os rumos econômicos do país.

Continua após a publicidade

Em janeiro, ao apresentar ao Senado a estratégia de Washington para o país, Rubio defendeu uma transição política acompanhada de perto pelos Estados Unidos e uma forte influência americana sobre a economia venezuelana.

A experiência ajuda a explicar por que as críticas de Rubio a Lula sobre Caracas ganharam tanto peso. O governo brasileiro defende tradicionalmente uma solução negociada para crises políticas na região e se opõe a intervenções externas. Washington, sob Trump, adotou uma postura muito mais agressiva.

Continua após a publicidade

A aposta de Washington para as Américas

A política americana para a região passou a combinar pressão comercial, sanções, articulação diplomática e uma defesa mais explícita da predominância dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. O movimento vem sendo associado a uma releitura da Doutrina Monroe, formulada no século XIX para estabelecer a oposição americana à interferência de potências europeias nas Américas.

A própria administração Trump passou a empregar uma retórica mais direta sobre essa ideia. Nesta semana, o Departamento de Estado publicou um vídeo reafirmando que os Estados Unidos não aceitariam que seu domínio sobre o Hemisfério Ocidental fosse novamente questionado.

Continua após a publicidade

Nesse projeto, Rubio ocupa uma posição estratégica. Sua trajetória política, marcada pelo anticastrismo, combina-se à visão de Trump de que Washington deve recuperar influência sobre uma região onde China, Rússia e outros atores ampliaram sua presença nos últimos anos.

A estratégia também passa pela escolha de representantes diplomáticos alinhados à agenda da Casa Branca. Entre os nomes estão Daniel Perez, indicado para o Brasil; Bernie Navarro, para o Peru; Kevin Marino Cabrera, para o Panamá; e Peter Lamelas, para a Argentina. Alguns deles já provocaram reações de setores da esquerda latino-americana por declarações consideradas intervencionistas.

Continua após a publicidade

O Brasil, maior economia da América Latina, ocupa uma posição particularmente sensível nesse cenário.

Por que Lula entrou na mira?

A relação de Rubio com o governo brasileiro já vinha sendo marcada por sucessivos choques. O secretário criticou Lula por sua postura diante da Venezuela e da China e também demonstrou preocupação com a aproximação brasileira com Pequim e com o Brics.

Para Washington, a questão não é apenas ideológica. O Brasil tem a China como principal parceiro comercial, integra o Brics e defende uma política externa baseada em maior autonomia em relação às grandes potências. Essa postura contrasta com a tentativa da administração Trump de reforçar a predominância americana no continente.

Em 2024, ainda como senador, Rubio atacou o ministro Alexandre de Moraes durante a suspensão temporária do X (ex-Twitter) no Brasil e classificou Lula como um líder de extrema esquerda. Já no governo Trump, passou a criticar diretamente a política externa brasileira e a condução das negociações com Washington.

Mais recentemente, afirmou que Lula teria “colocado o próprio ego” acima dos interesses do país nas tratativas com os Estados Unidos.

As declarações provocaram reação em Brasília. O chanceler Mauro Vieira classificou as falas de Rubio como “ataques grosseiros e arrogantes”. Lula, por sua vez, chegou a chamar o secretário de “bolsonarista”, “latino-americano frustrado” e afirmou que ele não gosta do Brasil nem da América Latina.

A escalada deixou de ser apenas retórica e passou a atingir diretamente a relação diplomática entre os dois países. Washington revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse envolvendo a concessão do agrément ao diplomata americano Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada em Brasília e conhecido por sua proximidade com Rubio.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com textura sutil, uma linha escura vertical no canto esquerdo e um ícone de árvore azul escuro no canto superior direitoFundo bege claro com textura sutil, apresentando um logotipo de árvore azul escuro no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA MÊS DOS PAIS

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).