Quem é Daniel Perez, pivô da crise diplomática que levou à revogação do visto de embaixadora nos EUA
Deputado estadual foi indicado por Donald Trump para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil
O deputado estadual americano Daniel Perez, indicado pelo presidente Donald Trump para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, tornou-se o pivô da mais nova crise diplomática entre os países, que levou à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta terça-feira, 4.
A medida dos EUA seria uma resposta ao fato de o governo Lula não ter concedido o aval diplomático para que Perez assuma a embaixada americana no Brasil.
Originalmente de Nova York, Perez, de 39 anos, é filho de imigrantes cubanos e se mudou para a Flórida na década de 1990. Ele é formado em direito pela Florida State University e foi eleito deputado pela primeira vez em 2017, chegando ao posto de presidente da Câmara dos Representantes do estado em 2024.
Republicano e aliado de Trump, Perez adota um discurso duro contra governos de esquerda na América Latina. Ele também reforça a ascensão cada vez maior dos republicanos da Flórida, estado do ocupante do Salão Oval e ponta-de-lança da resistência americana à esquerda latino-americana.
A indicação de Perez para a Embaixada dos EUA no Brasil já foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores dos EUA, mas ainda depende do aval do plenário do Senado americano e da autorização do governo brasileiro.
Se aprovado, Perez será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo ex-presidente Joe Biden. O posto está vago desde janeiro do ano passado, quando Trump retornou à Casa Branca.
Reação do governo brasileiro
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu que adotará o princípio de reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos em resposta à revogação do visto da embaixadora Viotti.
Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e rejeitou os argumentos apresentados pelo governo norte-americano para justificar a decisão.
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No comunicado, o Palácio do Planalto afirma ainda que as duas justificativas apresentadas pelos Estados Unidos são “falsas”. O governo sustenta que o processo de concessão de agrément para embaixadores é confidencial, conforme estabelece o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, e argumenta que Washington tornou público o nome de seu indicado antes mesmo de formalizar o pedido anuência ao governo brasileiro.
Brasil e Estados Unidos vivem uma fase de conflitos e de distanciamento, depois que o governo Trump decidiu aplicar duas rodadas de tarifas contra o setor produtivo brasileiro. Recentemente, o governo brasileiro negou visto a dois integrantes do governo americano que viriam ao Brasil para supostamente questionar o sistema eleitoral brasileiro.







