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Tarifaço aumenta tensão entre governo Lula e auxiliar ‘bolsonarista’ de Trump

Responsável pela diplomacia americana, Marco Rubio diz que tarifaço é o preço que o Brasil paga pelo 'ego' do petista

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 12h45
Tarifaço aumenta tensão entre governo Lula e auxiliar ‘bolsonarista’ de Trump Priorizar nos meus resultados Google

Responsável pela diplomacia americana, Marco Rubio tem gosto especial pelo embate. Ele comanda a reformulação da política externa americana, marcada por tarifaços e ameaças bélicas destinadas à obtenção de vantagens econômicas e estratégicas, e uma de suas características é bater de frente com governos considerados hostis. Filho de imigrantes cubanos e ferrenho anticastrista, sua mira costuma recair sobre países comandados pela esquerda, em especial na “vizinhança” da América Latina, que, segundo ele, estaria sob influência cada vez maior da rival China.

No caso específico do Brasil, o secretário de Estado, que é conhecido por manter uma quasi-amizade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) há oito anos, tem um dedo no tarifaço 2.0 anunciado pelo governo de Donald Trump, que taxará, a partir da semana que vem, uma série de produtos brasileiros em doloridos 25%.

‘Priorizou o próprio ego’

Ao anunciar a decisão, Rubio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro”. Em suas redes sociais, ele disse que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de seu mandatário e que o petista e seu governo “não negociaram com os Estados Unidos de boa fé”.

“Que não haja dúvidas sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa fé”, escreveu o secretário americano no X (ex-Twitter). “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso.”

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Bate e rebate

O posicionamento acirra as tensões já existentes entre o Planalto e a figura que o governo Lula considera uma espécie de auxiliar “bolsonarista” de Donald Trump. O brasileiro também já criticou algumas vezes o secretário de Estado. Em junho deste ano, comentando sobre a nova leva de tarifas que foi enfim confirmada na noite de quarta-feira 15, chamou Rubio de “latino-americano frustrado”, falou que ele era “anti-América Latina” e tinha um “certo desconhecimento” sobre o Brasil.

Já Rubio alfinetou o petista ao acusá-lo de “passar pano para a natureza criminosa do narcorregime de (Nicolás) Maduro”, depois de Lula receber o ex-ditador venezuelano em Brasília, em 2023, e disse que o brasileiro pensa primeiro “em si mesmo” ao “se curvar ao regime genocida da China”.

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No ano passado, o secretário de Estado americano liderou uma represália ao programa Mais Médicos, que teve massiva participação de cubanos durante a gestão Dilma Rousseff. Como parte da ofensiva, a esposa e a filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que ocupava o mesmo cargo no mandato da petista, tiveram os vistos revogados. Rubio também defendeu publicamente a aplicação da Magnitsky a Alexandre de Moraes, quando o governo americano foi acusado por Lula de tentar interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro: “Que seja um aviso para aqueles que atropelam os direitos fundamentais de seus compatriotas — as togas judiciais não podem protegê-los”.

Tarifas

Agora, a tarifa foi justificada pela chamada Seção 301, alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. O representante americano de comércio, Jamieson Greer, afirmou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas.

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Já o governo Lula repudiou a decisão anunciada, dizendo que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um marco lastimável”, e abriu os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

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