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Como escândalo Epstein mancha reputação de um dos ídolos da esquerda mundial

Novas mensagens contradizem declarações anteriores de que vínculo entre ambos se dava sobretudo por assuntos financeiros

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 fev 2026, 16h15 • Atualizado em 5 fev 2026, 08h32
  • Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na semana passada apontam que a relação entre o financista Jeffrey Epstein e o linguista americano Noam Chomsky, um dos intelectuais mais influentes das últimas décadas e ícone de parte da esquerda mundial, era muito mais íntima do que se pensava.

    As mensagens contradizem declarações anteriores de Chomsky, feitas quando seu nome surgiu em documentos anteriores, de que o vínculo de ambos se dava sobretudo por assuntos financeiros.

    Por e-mail, em 2019, o linguista expressou solidariedade a Epstein pela “forma horrível” como a imprensa e a opinião pública o trataram.  O caso integra uma nova leva de documentos divulgados  no âmbito da investigação sobre a rede de exploração sexual operada por Epstein, que fez fortuna no mercado financeiro e foi condenado por abusar sexualmente de menores. O principal epicentro dos crimes era uma ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, frequentemente visitada por convidados que viajavam no avião privado do financista, apelidado de “Lolita Express”.

    Em resposta a um e-mail de Epstein no qual ele pedia conselhos sobre como lidar com a “imprensa podre”, Chomsky lhe recomendou que mantivesse um perfil reservado.

    “O que os abutres desejam ardentemente é uma resposta pública que depois lhes dê abertura (…) para uma enxurrada de ataques venenosos, muitos deles de meros caçadores de publicidade ou loucos de toda índole”, escreveu Chomsky, hoje com 97 anos. “Isto é especialmente certo agora, com a histeria que se desenvolveu em torno do abuso de mulheres, que chegou ao ponto em que até mesmo questionar uma acusação é um crime pior que assassinato”.

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    A troca de mensagens ocorreu em fevereiro de 2019. Epstein foi preso em julho daquele ano, em Nova York, e encontrado morto em sua cela no mês seguinte.

    Documentos divulgados anteriormente mostraram que Chomsky manteve uma relação com o financista muito após a condenação de Epstein, em 2008, por prostituição de menores. Uma imagem divulgada por democratas no Congresso mostra Chomsky sentado ao lado de Epstein em um avião.

    Em 2023, o intelectual declarou ao Harvard Crimson: “Sabíamos que ele havia sido condenado e cumpriu sua pena, o que significa que retorna à sociedade, segundo as normas vigentes”.

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