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Com von der Leyen, Lula comemora assinatura do acordo UE-Mercosul: ’25 anos de espera’

Pacto cria maior zona de livre comércio do mundo e será firmado no sábado em Assunção, mas ainda enfrenta desafios cruciais no Parlamento Europeu

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 16h09 • Atualizado em 16 jan 2026, 21h20
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta sexta-feira, 16, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para uma reunião na véspera da assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Após o encontro às 14h, os dois posaram para uma foto oficial e deram uma declaração conjunta, em que comemoraram o avanço no pacto negociado há mais de duas décadas.

    “Amanhã (sábado), em Assunção, União Europeia e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”, afirmou Lula, classificando a demora em estabelecer o acordo como “25 anos de sofrimento”.

    O mandatário brasileiro afirmou ainda que o negócio extrapola a economia e incentiva a colaboração em áreas como democracia, direitos humanos e meio ambiente.

    “Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente”, comentou.

    Von der Leyen também celebrou a conquista de “uma geração inteira” e agradeceu a Lula por encabeçar as tratativas.

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    “Por mais de duas décadas, inúmeros negociares e seus líderes trabalharam nesse acordo com o Mercosul que levou 25 anos para ser concluído. Ele agora foi terminado e é uma conquista de uma geração inteira”, disse ela. “A liderança politica, compromisso pessoal e paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas e meses, presidente, são realmente enormes. Obrigada pelo seu direcionamento habilidoso durante as negociações e por entregar esse acordo histórico”, acrescentou a chefe da Comissão Europeia.

    A reunião ocorreu no dia anterior à assinatura do acordo entre o bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai (e, mais recentemente, Bolívia) e os 27 membros da União Europeia, em Assunção, capital paraguaia. O país ocupa a presidência rotativa do bloco, que ficou, em 2025, a cargo do governo brasileiro. Lula não participará da cerimônia da oficialização, sendo representado pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira.

    Ursula von der Leyen e Lula
    Ursula von der Leyen e Lula (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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    Próximos passos

    A Comissão Europeia negocia desde 1999 o amplo acordo com o Mercosul, que deve criar a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, eliminando tarifas sobre mais de 90% do seu comércio bilateral.

    Países como Alemanha e Espanha argumentam que se trata de uma parte vital do esforço do bloco europeu para abrir novos mercados, compensar as perdas comerciais decorrentes do tarifaço dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos. Mas uma oposição, liderada pela França, teme impactos negativos sobre o setor agrícola local.

    O Chipre, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia, utilizou uma manobra legal para permitir a implementação provisória do acordo antes dele passar pela análise do Parlamento Europeu órgão legislativo do bloco. A decisão foi considerada controversa, e a aplicação provisória ainda depende da aprovação de pelo menos um país do Mercosul.

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    No entanto, antes que o pacto comercial possa entrar em vigor de forma integral, ele precisa receber a aprovação do legislativo do bloco, o que ainda pode demorar meses. Esta fase está cercada de incertezas, já que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo. Lá, coligações eleitorais se tornaram muito mais voláteis e imprevisíveis. Espera-se que a votação seja apertada.

    A França já havia adiantado que lutaria contra o texto no Parlamento em caso de aprovação nesta sexta. A ministra da Agricultura do país, Annie Genevard, afirmou que a batalha não acabou. Grupos ambientalistas europeus também devem fazer pressão sobre os parlamentares, com a organização Amigos da Terra dizendo que o pacto tem potencial “devastador para o clima”.

    O alemão Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, expressou confiança de que o acordo seria aprovado, prevendo uma votação final em abril ou maio.

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