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Os próximos passos do acordo UE-Mercosul após sinal verde de europeus

Aval dos países do bloco europeu permite implementação parcial, mas pacto só pode entrar em vigor integralmente após aprovação do Parlamento Europeu

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jan 2026, 09h38 • Atualizado em 9 jan 2026, 10h05
  • A União Europeia aprovou em caráter provisório nesta sexta-feira, 9, o acordo comercial com o Mercosul, de acordo com as agências de notícias AFP e Reuters, e uma confirmação formal está prevista para as 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília). Isso não significa, porém, que o tratado entra em vigor de imediato, e trâmites internos do bloco devem prolongar a implementação do texto que é negociado há mais de 25 anos.

    A Comissão Europeia negocia desde 1999 o amplo acordo com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, que deve criar a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, eliminando tarifas sobre mais de 90% do seu comércio bilateral. Países como Alemanha e Espanha argumentam que se trata de uma parte vital do esforço do bloco europeu para abrir novos mercados, compensar as perdas comerciais decorrentes do tarifaço dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos. Mas uma oposição, liderada pela França, teme impactos negativos sobre o setor agrícola local.

    Entenda os próximos passos para que o acordo saia do papel.

    Assinatura

    Depois de confirmada a aprovação do texto em uma votação realizada em reunião com embaixadores e diplomatas europeus nesta sexta-feira em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo.

    Espera-se que isso aconteça já na próxima segunda-feira, 12, em Assunção. Em dezembro, o Paraguai sucedeu o Brasil na presidência rotativa do Mercosul.

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    De acordo com a delegação francesa, o Chipre, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia, utilizou uma manobra legal para permitir a implementação provisória do acordo antes mesmo de haver discussão no órgão legislativo do bloco. A decisão foi considerada controversa, e a aplicação provisória ainda depende da aprovação de pelo menos um país do Mercosul.

    No entanto, antes que o pacto comercial possa entrar em vigor de forma integral, ele precisa receber a aprovação do Parlamento Europeu.

    Parlamento Europeu

    O aval do Parlamento Europeu pode demorar. Os parlamentares têm um prazo de várias semanas para pronunciar-se.

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    Esta fase está cercada de incertezas, já que cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo. Lá, coligações eleitorais se tornaram muito mais voláteis e imprevisíveis. Espera-se que a votação seja apertada.

    A França já havia adiantado que lutaria contra o texto no Parlamento em caso de aprovação nesta sexta. A ministra da Agricultura do país, Annie Genevard, afirmou que a batalha não acabou. Grupos ambientalistas europeus também devem fazer pressão sobre os parlamentares, com a organização Amigos da Terra dizendo que o pacto tem potencial “devastador para o clima”.

    O alemão Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, expressou confiança de que o acordo seria aprovado, prevendo uma votação final em abril ou maio.

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