Com nova destituição, Peru agora tem sete presidentes em oito anos
Último presidente a concluir integralmente o mandato no país foi Ollanta Humala, que ficou no poder de 2011 até 2016
O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira, 17, o presidente interino José Jerí, alvo de duas investigações da Procuradoria-Geral por suposto “tráfico de influência”. O político foi o sétimo chefe de Estado peruano em oito anos.
Antes à frente do Congresso, Jerí assumiu o poder em 10 de outubro, após a destituição da então presidente Dina Boluarte, em meio a uma onda de protestos contra corrupção e violência no país.
O último presidente a concluir integralmente o mandato no país foi Ollanta Humala, que ficou no poder de 2011 até 2016. Durante sua gestão, vieram à tona no Peru as investigações do caso envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, acusada de financiar campanhas políticas em troca de favores em contratos públicos.
Humala e sua esposa, Nadine Heredia, chegaram a cumprir prisão preventiva entre 2017 e 2018. Em 2025, Heredia solicitou asilo ao Brasil. Segundo o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, a concessão foi feita por razões humanitárias.
Destituição do presidente interino
Jerí foi destituído por maioria simples em uma moção de censura — diferentemente do impeachment, que exige 87 votos entre os 130 parlamentares. Após o resultado, um novo presidente do Congresso deve ser eleito para assumir a chefia do Executivo, conforme determina a Constituição do país.
Sete pedidos de censura foram apresentados por parlamentares da oposição de esquerda e por partidos de direita contra Jerí, que é acusado de “má conduta funcional e falta de idoneidade”.
As acusações contra Jerí ganharam força em janeiro, quando a Procuradoria abriu uma investigação preliminar contra o presidente interino por suposto “tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses”, após a revelação de uma reunião não divulgada com um empresário chinês que mantém negócios com o governo. Na época, o político negou irregularidades e disse que não renunciaria.
Na sexta-feira, a Procuradoria-Geral abriu uma segunda investigação contra Jerí pelo crime de “tráfico de influência”, devido à suposta intervenção do político na contratação de nove mulheres para cargos no governo entre outubro e janeiro. A investigação tem como objetivo determinar “se o presidente exerceu influência indevida nessas nomeações”.





