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Cesare Battisti chega à Itália após prisão na Bolívia

Extraditado pelo Brasil e capturado na Bolívia, condenado por quatro homicídios durante luta armada agora passará a cumprir pena em seu país natal

O avião com Cesare Battisti, italiano acusado de cometer quatro assassinatos durante sua atuação no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PCA), chegou a Roma, na Itália, por volta das 8h40 desta segunda-feira, 14 (11h40 no horário local). Battisti, que ficou por dez anos vivendo no Brasil como refugiado, fugiu após a decisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) de extraditá-lo e foi preso neste domingo, na Bolívia.

A chegada de Battisti ao país europeu foi acompanhada de perto pelos ministros do Interior, Matteo Salvini, político que se dedicou às negociações para a extradição do condenado, e da Justiça, Alfonso Bonavede.

O italiano deverá ser encaminhado por um grupo de agentes penitenciários para a prisão de Rebibbia, na zona urbana de Roma. De acordo com informações do jornal italiano Corriere della Sera, ele deverá ficar sozinho na cela, em uma área de segurança reservada para terroristas, e passará por seis meses de isolamento diurno.

Ao contrário do que pretendia a defesa do italiano, ele não conseguiu retornar ao Brasil antes de seguir para a Itália. Battisti tinha a esperança de obter uma liminar na Justiça brasileira que o mantivesse no país – o receio de que isso pudesse acontecer motivou o governo italiano a acertar com o presidente boliviano, Evo Morales, a transferência direta.

O italiano conseguiu ficar foragido por cerca de um mês após a decisão de Temer. Segundo o ex-diretor-geral da Polícia Federal Rogério Galloro, a corporação chegou a fazer 32 operações em apenas uma semana a fim de capturá-lo.

O italiano foi condenado à prisão perpétua em 1993 à revelia pelos assassinatos do joalheiro Pierluigi Torregiani, de dois policiais e de um açougueiro, enquanto seu grupo realizava alguns assaltos para financiar-se. Em um desses assaltos ficou ferido o filho de Torregiani, que desde então está em uma cadeira de rodas e que sempre pediu Justiça por estes crimes.

O ex-membro do PAC, um dos grupos terroristas de extrema esquerda dos chamados “anos de chumbo” na Itália, se refugiou na França em 1990, onde viveu onze anos na qualidade de asilado político, amparado por uma lei do presidente François Mitterrand, que dava refúgio a ex-guerrilheiros que renunciaram às armas.

Em 2004, quando este país se dispunha a revogar sua condição de refugiado político, viajou para o Brasil, onde foi detido uma primeira vez em 2009. No ano seguinte, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou a permanência de Cesare Battisti no país. Antes da decisão de Temer, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que ainda não havia assumido o cargo, também tinha firmado compromisso com o governo italiano de extraditá-lo.

(Com EFE e Estadão Conteúdo)