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Cameron é contra criação de orgão regulador da imprensa

Juiz sugeriu nova lei depois do escândalo das escutas ilegais

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, rejeitou a ideia de uma lei para regular a imprensa. O relatório de um inquérito desencadeado por um escândalo de escutas telefônicas ilegais propôs nesta quinta-feira a criação de um órgão independente de autorregulação da imprensa.

Ao mostrar-se contrário a proposta, Cameron agrada os meios de comunicação britânicos antes da eleição de 2015, mas pode provocar descontentamentos dentro da coalizão do governo.

Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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“Nós devemos ser cautelosos com qualquer legislação que tem o potencial de violar a liberdade de expressão e a imprensa livre”, defendeu o premiê diante do Parlamento. Seu discurso foi acompanhado por pessoas que tiveram seus telefones grampeados por um tablóide, e que fizeram campanha a favor de regras mais duras para a imprensa da Grã-Bretanha.

“Não estou convencido de que, nesta fase, o estatuto é necessário para alcançar os objetivos do juiz Leveson”, afirmou Cameron, referindo-se ao juiz responsável pelo inquérito. “Tenho algumas sérias preocupações e receios sobre esta recomendação.”

O líder do opositor Partido Trabalhista, Ed Miliband, disse que apoiava uma proposta de Leveson para dar suporte a um novo órgão regulador. Leveson condenou o comportamento algumas vezes “ultrajante” da imprensa que tinha “arruinado a vida de pessoas inocentes”.

O inquérito de Leveson foi ordenado por Cameron após a indignação pública com as revelações de que os repórteres de um dos tabloides do empresário Rupert Murdoch rastrearam as mensagens de telefone de uma jovem de 13 anos de idade, que foi assassinada.

A publicação é acusada de grampear telefones de celebridades, políticos, esportistas e até membros da família real britânica. Ao longo da investigação, que custou mais de 15 milhões de reais, foram ouvidos políticos, jornalistas e pessoas que foram vítimas de escutas telefônicas ilegais, incluindo o ator Hugh Grant.

(Com agência Reuters)