Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Cadê o conluio com a Rússia?, questiona Trump após condenação de ex-aliado

Condenação de Paul Manafort e delação de ex-advogado Michael Cohen devem aumentar pressão que já existe por impeachment do republicano

No mesmo dia em que dois de seus ex-aliados se viram na mira da Justiça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em um comício no Estado da Virgínia Ocidental que a investigação comandada pelo conselheiro especial Robert Mueller “não consegue encontrar conluio com a Rússia“.

Trata-se de referência às suspeitas de colaboração entre a campanha vencedora da corrida à Casa Branca de 2016 e Moscou em busca de favorecimento na eleição presidencial.

“Cadê o conluio com a Rússia? Eles não conseguem encontrar conluio com a Rússia”, questionou Trump a uma plateia de apoiadores nesta terça-feira 21.

Mais cedo, um júri federal considerou Paul Manafort, que foi diretor de campanha do atual presidente, culpado em oito acusações de fraude fiscal e bancária.

Também nesta terça, o seu ex-advogado pessoal Michael Cohen confessou ser culpado de acusações de fraude fiscal, fraude bancária e violações a leis de financiamento de campanha. Além disso, Cohen afirmou que agiu “em coordenação e sob a direção de um candidato para um cargo oficial federal”, mas não citou o nome de Trump em sua confissão.

Ao assumir sua culpa, Cohen disse ao juiz William Pauley que pagou 130.000 e 150.000 dólares durante a campanha eleitoral de 2016 em troca do silêncio de duas mulheres que teriam se relacionado com o presidente, “a pedido do candidato e com a intenção de influenciar na eleição” presidencial.

O juiz Pauley pronunciará a sentença de Cohen no dia 12 de dezembro, e o advogado poderá receber até cinco anos de prisão por cada um dos crimes de sonegação fiscal, trinta anos por fraude bancária e cinco anos por cada delito de violação da lei de financiamento de campanha.

A Casa Branca se negou a comentar as afirmações do Cohen. Mais tarde, em comunicado à imprensa americana, o advogado do Trump, Rudolph Giuliani, declarou que “não há acusações de qualquer crime contra o presidente no que foi apresentado pelo governo contra o Sr. Cohen”.

A decisão de Cohen em admitir sua culpa deve se transformar em um problema real para Trump. Apesar de a tradição legal dos Estados Unidos assinalar que um presidente não pode ser julgado no cargo, a admissão de Cohen certamente aumentará a pressão que já existe por um impeachment do republicano.

A líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi (Califórnia), afirmou que os casos envolvendo Paul Manafort e Michael Cohen são “mais uma prova da corrupção desenfreada e da criminalidade no coração do círculo íntimo do presidente americano, Donald Trump”.

Para a democrata, essas condenações são mais uma prova de que as investigações sobre a suposta interferência da Rússia na eleição presidencial americana de 2016 precisa continuar sem sofrer interferências.

O senador democrata Richard Blumenthal também se pronunciou, afirmando que, após as revelações de terça “não há outra leitura” senão a de que Trump “é um cúmplice criminoso não indiciado”.

Economia

No comício na Virgínia Ocidental, Trump também defendeu sua política comercial alegando que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa de 25% sobre a importação de automóveis da União Europeia e que essa medida converterá o atual déficit comercial americano, que ele próprio estimou em 151 bilhões de dólares anuais, em um superávit de valor igual com o bloco de nações.

Trump também garantiu que os Estados Unidos estão “a caminho de um acordo justo com o México“, argumentando que o presidente eleito do país vizinho, Andrés Manuel López Obrador, “sabe que o México precisa dos Estados Unidos”. “Eu me dou melhor com ele que com o capitalista”, acrescentou o americano, em referência ao atual mandatário, Enrique Peña Nieto.

A China não ficou de fora do discurso do líder da Casa Branca. Ele opinou que, antes da sua chegada à Presidência, a China “estava a caminho de ser maior que nós”. “Isso não vai acontecer”, prometeu, em meio às reiteradas acusações de que Pequim rouba tecnologia americana.

(Com Estadão Conteúdo e AFP)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Mike Pence como presidente será pior. Seria como trocar uma Dilma por um Temer. Bem, Itamar foi infinitamente melhor do que Collor. Gerald Ford não disse a que veio quando Nixon renunciou. Bem, sei lá. Tudo é uma caixinha de surpresas.

    Curtir