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Breivik pode ser acusado de crimes contra a humanidade

A polícia considera a possibilidade de o autor do duplo atentado ter cúmplices

Por Da Redação 26 jul 2011, 07h44

A polícia norueguesa estuda a possibilidade de acusar o autor dos sangrentos atentados no país por crimes contra a humanidade, informou nesta terça-feira um jornal local, citando o promotor encarregado do caso. A acusação, que faz parte do Código Penal da Noruega desde 2008, prevê uma pena máxima de 30 anos de prisão.

De acordo com o jornal Aftenposten, o promotor Christian Hatlo afirmou que, por enquanto, trata-se apenas de uma possibilidade. “Por enquanto, a polícia se referiu ao parágrafo do Código relativo ao terrorismo, mas não descarta se valer de outras disposições da lei”, disse à AFP um porta-voz. No entanto, não foi tomada ainda nenhuma decisão definitiva, acrescentou.

O principal suspeito pelos crimes é Anders Behring Breivik, 32 anos, que confessou ser o autor da explosão no centro de Oslo e do massacre na ilha de Utoya, que deixaram 76 mortos no país segundo o último balanço divulgado. Na segunda-feira, ele foi preso preventivamente por oito semanas. Seu advogado afirmou que seu cliente estava totalmente “desconectado” do país em que vivia.

Loucura – O advogado de Breivik afirmou nesta ter��a-feira que tudo indica que seu cliente esteja “louco”. Geir Lippstad acrescentou em entrevista coletiva que o acusado acredita que está em “estado de guerra” e, por isso, sente que suas ações são justificadas, além de reiterar que conta com vários colaboradores ou “células”.

Breivik não demonstra qualquer sinal de empatia por suas vítimas e diz que detesta as pessoas que acreditam em democracia. Ele também teria ficado um pouco “surpreso” que seu plano tenha tido “sucesso”, pois esperava que seria morto durante seus ataques. Uma avaliação médica será realizada para estabelecer suas condições psiquiátricas.

Nesta terça-feira, a polícia divulgará a lista das 76 vítimas fatais do duplo atentado no complexo governamental de Oslo e no acampamento social-democrata da vizinha ilha de Utoeya, segundo a imprensa local. Fontes policiais confirmaram o número na segunda-feira, corrigindo o balanço de 93 mortos divulgado anteriormente.

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A polícia considera a possibilidade de o autor do duplo atentado na Noruega não ter agido sozinho, baseando-se em suas declarações e nas de algumas testemunhas da tragédia. O promotor Hatlo assegura em entrevista publicada nesta terça-feira no jornal local VG que a hipótese dos possíveis cúmplices e colaboradores de Breivik “está sendo investigada”.

Apoio – O ministro da Justiça norueguês, Knut Storberget, classificou nesta terça-feira de “fantástica” a gestão policial após o duplo atentado da última sexta, frente às crescentes críticas por sua lenta resposta e descoordenação. Depois de se reunir com a direção das forças de segurança, Storberget não descartou, no entanto, a possibilidade de se produzir uma investigação posterior sobre a atuação policial.

“É muito importante que tenhamos uma aproximação aberta e crítica, mas há um tempo para cada coisa”, disse o ministro da Justiça, em linha com o apontado ontem pelo diretor da Polícia, Øystein Mæland. A atuação das forças de segurança norueguesas foi questionada sobretudo pela demora em responder aos primeiros pedidos de auxílio desde o acampamento da juventude social-democrata, onde entrou atirando Breivik.

O único detido pelo duplo atentado contou com mais de uma hora para disparar contra quantos jovens pôde – o número final de mortos na ilha foi de 68 – até que os primeiros agentes chegaram a Utoeya, onde fica o acampamento. Além disso, foi apontado que a polícia desdenhou das primeiras chamadas de emergência desde o acampamento e que não acudiu de helicóptero à ilha, mas de carro e depois de barca, o que atrasou a detenção de Breivik e agravou a tragédia.

A outra queixa contra as forças de segurança se centra na descoordenação inicial, algo que foi reconhecido na segunda por Mæland quando este explicou por que o balanço total de vítimas fatais foi rebaixado de 93 para 76. Mæland disse que talvez a “confusão” que reinava em Utoeya tenha feito com que algumas vítimas fossem contadas duas vezes.

(Com agência France-Presse)

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