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Bomba mata 34 passageiros em ônibus no Afeganistão

Artefato improvisado tinha como objetivo atingir as forças de segurança do país, mas acabou vitimando mulheres e crianças

Ao menos 34 passageiros de um ônibus foram mortos nesta quarta-feira, 31, quando o veículo passou sobre uma bomba improvisada colocada em uma estrada no oeste do Afeganistão. A maioria das vitimas era mulheres e crianças, e o número de mortos ainda pode aumentar. O governo provincial atribuiu o atentado ao Talibã.

“Esta manhã, por volta das 6h (22h30 de terça-feira no horário de Brasília), um ônibus seguia pela autoestrada Kandahar-Herat quando foi atingido pela bomba dos talibãs. Ao menos 34 pessoas morreram e 17 ficaram feridas”, disse Muhibullah Muhib, porta-voz da província de Farah.

Segundo Muhib, a bomba era destinada a atingir as forças de segurança afegãs. Outro porta-voz do governo local, Farooq Barakzai, advertiu que o número de mortos pode ser ainda maior e que todas as vítimas eram civis.

Até o momento, o Talibã não assumiu a responsabilidade do incidente.

Ritmo de mortes ‘inaceitável’

Na véspera, um relatório das Nações Unidas advertiu que os civis continuam sendo mortos e feridos a um ritmo “inaceitável” no Afeganistão, apesar das negociações em curso para acabar com décadas de guerra.

Embora o número de vítimas nos primeiros seis meses de 2019 tenha reduzido em 27% em relação ao mesmo período de 2018, 1.366 civis foram mortos e 2.446 ficaram feridos, informou a Missão da ONU no Afeganistão (Manua) em seu relatório semestral.

Um terço das vítimas é criança – 327 mortas e 880 feridas. A Manua informou que mais civis foram mortos pelas forças pró-governo do que por grupos insurgentes (717 contra 531), em grande parte devido a ataques aéreos afegãos e americanos.

Os Estados Unidos estão engajados desde o ano passado em um diálogo direto sem precedentes com o Talibã, na esperança de alcançar um acordo de paz.

Washington parece determinado a acelerar essas negociações de paz, antes das eleições presidenciais afegãs, marcadas para o final de setembro, e da corrida pela Casa Branca, em 2020.

O negociador americano Zalmay Khalilzad está atualmente em Cabul e viajará a Doha, no Catar, nos próximos dias, para novas discussões com os insurgentes. Se ambos os lados chegarem a um acordo, um diálogo entre o Talibã e uma delegação afegã será aberto em Oslo, na Noruega.