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Ataques de Israel matam ao menos 13 em Gaza às vésperas de anúncio de Trump sobre trégua

Exército israelense afirma que ação foi resposta ao lançamento malsucedido de um míssil pelo Hamas; Presidente dos EUA deve divulgar 'conselho de paz'

Por Flávio Monteiro
9 jan 2026, 11h28 • Atualizado em 9 jan 2026, 11h57
  • Pelo menos 13 pessoas, incluindo cinco crianças, foram mortas por ataques de IsraelGaza nesta quinta-feira, 8, segundo a Agência de Defesa Civil do enclave, controlada pelo Hamas. Os bombardeios ocorrem em meio a tensões e acusações de violação parte a parte do cessar-fogo, e às vésperas do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o chamado “conselho de paz”, órgão que idealizou (e deve chefiar) em um plano para encerrar a guerra.

    Nesta sexta-feira, 9, parentes choravam sobre o corpo de uma adolescente de 16 anos e seus dois sobrinhos pequenos, mortos durante os ataques em uma tenda no sul do enclave. “Que segurança? Que trégua?”, questionou a mãe e avó das vítimas, Rudaina al-Qedra, em entrevista à agência de notícias Associated Press. Outros relatos apontam a morte de uma menina de 11 anos nas proximidades do campo de refugiados de Jabaliya.

    As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) disseram que o “ataque de precisão” foi uma resposta contra o lançamento de um míssil pelo Hamas em direção ao território israelense na véspera, que acabou falhando e caiu dentro do enclave. O Exército israelense afirmou que o alvo de seu ataque foi o ponto de lançamento do projétil, e que também fez operações contra a infraestrutura utilizada pelos combatentes do grupo no norte e no sul de Gaza.

    Moradores orientados por Tel Aviv a deixar os locais onde residiam antes dos ataques têm relatado o desaparecimento de seus pertences pessoais após seu retorno. “Voltamos e não encontramos nossas barracas, nossas roupas ou nossa comida. Estamos procurando desde manhã e não encontramos nada”, afirmou o palestino Abu Tareq Erouq.

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    Embora um cessar-fogo avançado pelos Estados Unidos esteja em vigor desde 10 de outubro, a situação em Gaza segue delicada, com Israel e Hamas se acusando mutuamente de ferir os termos do acordo. Autoridades de saúde vinculadas à administração do enclave afirmam que ataques israelenses já mataram mais de 400 palestinos desde o início da trégua, enquanto Tel Aviv defende que qualquer ação militar ocorreu em resposta a violações.

    Buscando dar prosseguimento a seu plano de estabilização para a região, Donald Trump deve anunciar suas nomeações para o conselho de paz que ficará a cargo da supervisão do cessar-fogo na próxima semana. A proposta do presidente americano é estabelecer um órgão que fiscalizaria as medidas detalhadas em seu plano de 21 pontos para o fim da guerra, cujo progresso tem sido lento até o momento, que incluem:

    • O estabelecimento de um comitê tecnocrático e apolítico palestino para governar o enclave;
    • O desarmamento do Hamas;
    • O envio de uma força internacional de segurança para proteger o território e treinar forças locais;
    • A retirada gradual, mas completa, de tropas israelenses de Gaza;
    • A reconstrução completa do enclave.

    Na quinta 8, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov seria designado como diretor-geral do conselho. Ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores da Bulgária, Mladenov serviu como enviado da ONU para o Iraque antes de ser designado como enviado da paz para o Oriente Médio entre 2015 e 2020, onde manteve boas relações com Israel.

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