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Ataque a Idlib deve levar à fuga de 700.000 civis sírios

Líderes da Rússia, do Irã e da Turquia se reúnem em Teerã para tratar de possível bombardeio ao reduto do Estado Islâmico

Entidades humanitárias alertaram nesta quinta-feira que o ataque planejado pela Rússia contra posições do Estado Islâmico em Idlib, no norte da Síria, provocará a fuga de pelo menos 700.000 dos 3 milhões de habitantes da região, informou o jornal britânico The Guardian.

O Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) defendeu que abertura de uma passagem segura, possivelmente para a Turquia, será essencial no caso de o ataque ocorrer. “Uma multidão de 700.000 pessoas podem ser deslocadas da noite para o dia. Já há pessoas fugindo por medo do que possa ocorrer e se desdobrando para conseguir um abrigo”, informou a entidade.

A saída de Idlib para a Turquia é a mais provável passagem para essa massa humana. O país vizinho da Síria é o maior acolhedor de refugiados no mundo, com pelo menos 2 milhões de sírios abrigados em seu território. Mas há pressões políticas internas para que os novos refugiados sejam alojados em campos próximos à fronteira.

A Turquia espera demover a Rússia a seguir seus planos de ataque durante uma reunião de cúpula agendada para amanhã (7) em Teerã. Ainda assim, a Turquia moveu um comboio militar adentro nesta semana. As milícias apoiadas pelo Irã se mobilizaram no sul, e a armada russa manobrou no Mediterrâneo, nas proximidades da Síria. As forças do governo de Bashar Assad estão em alerta máximo.

Sob o comando da Rússia, esses aliados pretendem acabar de vez com o domínio dos rebeldes no Norte do país, mergulhado em guerra contra o Estado Islâmico há sete anos. A Casa Branca, entretanto, advertiu a Síria a não prosseguir com esse plano.

“Os russos e iranianos incorreriam em um grave erro humanitário ao tomar parte dessa potencial  tragédia humana. Centenas de milhares de pessoas podem morrer. Não deixem isso acontecer”, apelou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo Twitter no último dia 3.

O NRC e a Anistia Internacional insistiram que os civis não podem arcar com as consequências de uma operação militar que usará táticas proibidas, como o bombardeio indiscriminado e a fome.

“As estatísticas chocantes de civis mortos e os crimes de guerra testemunhados recentemente em outras partes da Síria, como na cidade de Aleppo, em Ghouta e em Daraa, não podem ser repetidas em Idlib”, afirmou a diretora da Anistia Internacional no Oriente Médio, Samah Hadid.