Após lei da anistia, Venezuela diz estar de braços ‘abertos’ para receber exilados
Estima-se que sete milhões de venezuelanos tenham fugido do país devido à crise política e econômica, incluindo figuras da oposição
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse nesta segunda-feira, 23, que o país está de braços “abertos” para receber os venezuelanos exilados sob a nova Lei de Anistia para a Convivência Democrática.
“Digo-vos: as portas da Venezuela, os braços do povo venezuelano, estão abertos para aqueles que desejam retornar neste processo de cura do ódio”, disse Rodríguez em um pronunciamento televisionado.
Estima-se que sete milhões de venezuelanos tenham fugido do país devido à crise política e econômica, incluindo diversas figuras da oposição.
Na segunda-feira, ao menos 34 presos políticos deixaram o presídio de El Rodeo I, nos arredores de Caracas, na Venezuela, pela aplicação da nova lei, que foi sancionada na última quinta-feira pelo Parlamento venezuelano e promulgada pela presidente interina.
Nos últimos dias, 17 pessoas classificadas pela oposição como presas por motivos políticos também foram libertadas, segundo o comitê de direitos humanos do movimento Vente Venezuela, ligado à líder opositora María Corina Machado.
A legislação foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Nacional em meio a semanas de negociações políticas. O texto prevê a libertação de centenas de detidos por motivos políticos ao longo dos últimos 27 anos de governo chavista, embora sua aplicação esteja sendo feita de forma gradual e dependa de pedidos judiciais específicos para cada caso.
Delcy Rodríguez afirmou que a medida busca construir “uma Venezuela mais democrática, justa e livre”. Ela também agradeceu as “manifestações genuínas de apoio” à lei de anistia, mas acusou “alguns setores” de não estarem “fazendo a leitura correta do que está ocorrendo no país”.
“Eles já têm planos e, no devido momento, vou revelá-los ao país para que se saiba quem, de um hotel luxuoso nos Estados Unidos ou na Europa, pretende sabotar este processo, pretende atrapalhar o caminho da tranquilidade e da paz na Venezuela”, disse Rodríguez em seu pronunciamento.
A presidente interina assumiu o cargo após a captura de Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos em 3 de janeiro.





