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Após fim de acordo, Rússia diz que só limitará arsenal nuclear se EUA fizerem o mesmo

Novo START, que limitava a 1.550 o número de ogivas nucleares estratégicas de cada país, expirou em 5 de fevereiro

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 12h50 •
  • O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira, 11, que Moscou continuará respeitando os limites impostos pelo recém-expirado tratado Novo START sobre seu arsenal nuclear, desde que os Estados Unidos façam o mesmo.

    “Nossa posição é que essa moratória do nosso lado, que foi declarada pelo presidente, ainda está em vigor, mas apenas enquanto os Estados Unidos não excederem os referidos limites”, disse Lavrov à Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo, acrescentando que a Rússia queria iniciar um “diálogo estratégico” com os EUA.

    Lavrov reiterou ainda que Moscou atuará nesta questão de forma “responsável”, com base em “uma análise da política militar americana”.

    + Após fim de acordo nuclear com Rússia, EUA pedem negociação trilateral que envolva China

    O presidente americano Donald Trump, por sua vez, rejeitou uma oferta de seu homólogo russo Vladimir Putin para cumprir voluntariamente os limites do Novo START por mais um ano. O republicano afirmou que prefere um acordo “melhor” e “modernizado”, que inclua também a China. O país de Xi Jinping, porém, rejeita abertamente sua participação.

    Fim do controle nuclear

    O Novo START, assinado em 2010, foi o último de uma série de acordos criados para conter a escalada nuclear herdada da Guerra Fria. O tratado, que expirou em 5 de fevereiro, limitava o arsenal de EUA e Rússia a 1.550 ogivas nucleares estratégicas instaladas e a 700 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais.

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    Além dos limites numéricos, o acordo previa inspeções presenciais, troca regular de dados e mecanismos de verificação que buscavam garantir previsibilidade e reduzir o risco de erros de cálculo entre as duas maiores potências nucleares do planeta, responsáveis juntas por mais de 80% das ogivas existentes no mundo.

    Ele foi prorrogado em 2021, no início do governo Joe Biden, mas, pelas suas próprias regras, não podia ser estendido novamente. Diante do prazo de cinco anos, ainda havia margem política para um acordo sucessor, ou ao menos para uma extensão informal.

    Em setembro do ano passado, Putin já havia indicado que estaria disposto a continuar respeitando os tetos do tratado por mais um ano, desde que os Estados Unidos fizessem o mesmo. O líder americano chegou a classificar a proposta como “uma boa ideia”, mas seu governo não deu seguimento às negociações.

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    Hoje, estima-se que a Rússia possua cerca de 5.459 ogivas nucleares e os Estados Unidos, 5.177, números muito superiores aos de qualquer outro país. Embora Pequim ainda esteja muito atrás das duas potências em termos absolutos, vem expandindo e modernizando seu arsenal nuclear no ritmo mais acelerado do mundo.

    A expiração do Novo START provocou temores de uma nova corrida nuclear envolvendo a Rússia, EUA e China.
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