Após fim de acordo nuclear com Rússia, EUA pedem negociação trilateral que envolva China
Moscou, por sua vez, exige participação de França e Reino Unido, que também possuem armas atômicas; Pequim já indicou que não deseja participar
Os Estados Unidos pediram, nesta sexta-feira, 6, negociações trilaterais com a Rússia e a China para estabelecer novos limites para as armas atômicas, após a expiração, na véspera, do Novo START — o último tratado que limitava o arsenal das duas principais potências nucleares, Washington e Moscou. Pequim, porém, já indicou oposição à proposta.
“As repetidas violações por parte da Rússia, o aumento dos arsenais em todo o mundo e as falhas na concepção e implementação do Novo START conferem aos Estados Unidos um claro imperativo para pedir uma nova arquitetura que aborde as ameaças de hoje, e não as de uma era passada”, disse Thomas DiNanno, subsecretário de Estado para o Controle de Armas, em uma reunião da Conferência sobre Desarmamento, em Genebra.
“Enquanto estamos aqui hoje, o arsenal nuclear da China não tem limites, transparência, declarações ou controles”, acrescentou o americano.
DiNanno insistiu que “a próxima era do controle de armas pode e deve continuar com um foco claro, mas exigirá a participação de mais países além da Rússia na mesa de negociações”.
O Kremlin não descartou participar de tais tratativas, mas, nesta sexta, condicionou sua participação ao envolvimento da França e do Reino Unido. O embaixador russo Gennady Gatilov afirmou, na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, que “a princípio, participaria do processo se o Reino Unido e a França também fossem incluídos, já que são aliados militares dos Estados Unidos na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que se declarou uma aliança nuclear”.
Fim do controle nuclear
O Novo START, assinado em 2010, foi o último de uma série de acordos criados para conter a escalada nuclear herdada da Guerra Fria. O tratado limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas instaladas e a 700 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais.
Além dos limites numéricos, o acordo previa inspeções presenciais, troca regular de dados e mecanismos de verificação que buscavam garantir previsibilidade e reduzir o risco de erros de cálculo entre as duas maiores potências nucleares do planeta, responsáveis juntas por mais de 80% das ogivas existentes no mundo.
Ele foi prorrogado em 2021, no início do governo Joe Biden, mas, pelas suas próprias regras, não podia ser estendido novamente. Diante do prazo de cinco anos, ainda havia margem política para um acordo sucessor, ou ao menos para uma extensão informal.
Em setembro do ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que estaria disposto a continuar respeitando os tetos do tratado por mais um ano, desde que os Estados Unidos fizessem o mesmo. O líder americano, Donald Trump, chegou a classificar a proposta como “uma boa ideia”, mas seu governo não deu seguimento às negociações.
Em declarações recentes, ele afirmou que prefere um acordo “melhor” e “modernizado”, em vez de estender o que expirou na quinta-feira, que inclua também a China. O país de Xi Jinping, porém, rejeita abertamente sua participação.
Hoje, estima-se que a Rússia possua cerca de 5.459 ogivas nucleares e os Estados Unidos, 5.177, números muito superiores aos de qualquer outro país. Embora Pequim ainda esteja muito atrás das duas potências em termos absolutos, vem expandindo e modernizando seu arsenal nuclear no ritmo mais acelerado do mundo.





