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Alexei Navalny: quem era o rival político de Putin morto na prisão

O ativista anticorrupção inflamou um movimento popular, quase morreu envenenado e expôs uma rede de corrupção dentro do Kremlin

Por Da Redação
Atualizado em 16 fev 2024, 13h50 - Publicado em 16 fev 2024, 09h27

Ex-advogado e ativista anticorrupção, Alexei Navalny foi durante muito tempo o megafone mais estridente e rosto mais proeminente da oposição ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Aos 47 anos, ele morreu nesta sexta-feira, 16, enquanto cumpria uma longa pena de prisão no Círculo Polar Ártico, após mais de três anos de detenção.

O serviço penitenciário disse que ele “se sentiu mal” depois de uma caminhada e “perdeu a consciência quase imediatamente”. A causa da morte ainda é desconhecida, segundo a mídia local.

Embora não tenha conseguido desafiar Putin nas urnas, sua articulação e teimosia fizeram com que ele continuasse sendo uma pedra no sapato do Kremlin, mesmo de dentro da cadeia. Os números do Google Trends indicam um pico de interesse no Brasil pela trajetória de Navalny: na tarde de sexta, o nome estava entre os termos em alta entre brasileiros no buscador, com mais de 10 mil pesquisas.

Expondo o sistema estragado

Navalny mexeu os primeiros pauzinhos para expor a corrupção russa em 2008, tendo como alvo os conglomerados nascidos do desmonte das estatais soviéticas. Ninguém o conhecia. De denúncia em denúncia, entrou para a política, fez barulho, convocou protestos e foi se destacando entre os vários oposicionistas duramente reprimidos pelo Kremlin.

Passados cinco anos, 37% dos russos já tinham ouvido falar dele. O governo o prendeu várias vezes, mas sempre por pouco tempo. Sofreu dois atentados com substâncias desconhecidas e, em um deles, perdeu parte da visão, mas foi em frente, denunciando o Rússia Unida, do governo, como “um partido de vigaristas e ladrões” — expressão que virou meme entre os jovens.

Ampliando cada vez mais sua capacidade de mobilização popular, o ativista, nos últimos tempos, vinha promovendo a tática do “voto inteligente” — como o Kremlin costuma usar de todos os subterfúgios para barrar as figuras da oposição nas eleições, passou a recomendar que se votasse em qualquer candidato, de qualquer partido, que fosse contra o poder estabelecido.

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No YouTube e redes sociais, falava a língua de rua dos jovens russos. A mensagem consistente de Navalny era que Putin “sugava o sangue da Rússia” através de um “Estado feudal” que concentra o poder no Kremlin. Esse sistema de clientelismo, dizia ele, é como a Rússia czarista.

Envenenado e preso

Sua cruzada quase foi interrompida pela sua quase morte em agosto de 2020, quando foi envenenado, em um vilarejo na Sibéria. Levado ao hospital mais próximo, entrou em coma, e assim foi transportado, em jato particular acionado por ONGs, para Berlim, na Alemanha.

Lá se constatou a presença em seu organismo de um agente nervoso exclusivo dos serviços de inteligência russos. Ele se recuperou e voltou no dia 17 de janeiro de 2021, sabendo que seria preso. A acusação: violara os termos da liberdade condicional em um processo por suposta fraude financeira.

Pouco antes de regressar, Navalny divulgou o áudio de uma conversa sua com um agente russo, fazendo-se passar por colega espião, em que a tentativa de envenenamento foi confirmada e, pela primeira vez, localizada: a substância teria sido colocada em sua cueca.

Seus apoiadores organizaram protestos em massa por toda a Rússia e a polícia respondeu com força, detendo milhares de pessoas por participarem de manifestações não autorizadas.

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Colônias penais

Para mantê-lo na cadeia, autoridades justificaram que Navalny não comparecia regularmente perante à polícia durante 2020, violando sua liberdade condicional. Sua equipe jurídica disse que isso era um absurdo, pois seu cliente estava sendo tratado em Berlim devido ao envenenamento – e esteve em coma durante parte desse tempo.

Navalny havia sido detido em 2014, e por isso cumpria liberdade condicional, devido ao alegado desvio de uma subsidiária russa da empresa francesa de cosméticos Yves Rocher e de uma empresa madeireira, Kirovles. Seu irmão Oleg foi preso por três anos e meio e Alexei recebeu a mesma pena, depois suspensa. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em 2016, condenou a Rússia por ter prendido o ativista e concluiu que os direitos de Navalny tinham sido violados.

Após a condenação, o ex-advogado foi encarcerado na colônia penal de Vladimir, cerca de 100 quilômetros de Moscou. Em março de 2022, sua pena foi aumentada em nove anos depois de ter sido considerado culpado de novas acusações de peculato e desrespeito ao tribunal. Ele foi transferido para uma nova colônia penal em Melekhovo, a 250 quilômetros da capital.

E, em agosto de 2023, recebeu uma pena adicional de 19 anos, acusado de formar e financiar organizações e atividades extremistas. Segundo Navalny, essa sentença de estilo “stalinista” tinha objetivo de assustar outros oponentes de Putin. Antes do julgamento, ele pediu que os russos resistissem aos “vilões e ladrões do Kremlin”.

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