A maneira curiosa como a localização do maior porta-aviões francês foi vazada
Não houve informações interceptadas por espiões, nem malícia, mas incidente expôs navio Charles de Gaulle, deslocado ao Oriente Médio em meio à guerra
Um oficial francês vazou por acidente a localização do porta-aviões Charles de Gaulle, a principal embarcação da frota francesa enviada ao Oriente Médio em meio às tensões devido à guerra no Irã. Não houve informações interceptadas por espiões, nada assim. O homem, identificado apenas como Arthur, expôs as coordenadas ao registrar uma corrida no aplicativo Strava.
O caso foi divulgado pelo jornal francês Le Monde. Segundo a reportagem, Arthur se exercitou durante 35 minutos no convés do navio utilizando um smartwatch na última sexta-feira 13. O exercício gerou um mapa de sua localização, que ficou gravado no Strava, popular aplicativo entre corredores mundo afora.
Os dados sincronizados permitiram que outros usuários localizassem o porta-aviões a noroeste de Chipre, a cerca de 100 km da costa da Turquia. Imagens de satélite também confirmaram a presença da embarcação na região.
Em comunicado à agência de notícias AFP, as Forças Armadas francesas declararam que o ocorrido “não está em conformidade com as instruções vigentes” e garantiram que medidas cabíveis serão tomadas caso a denúncia seja confirmada. O envio do navio militar, que incluía 20 caças, duas aeronaves e três helicópteros, foi descrito pelo presidente Emmanuel Macron como estritamente “defensivo”, para proteger interesses franceses na região e apoiar aliados em meio ao conflito no Irã.
Dados sensíveis no Strava
Esta não é a primeira vez que o aplicativo compromete informações sigilosas. O software, que possui mais de 195 milhões de usuários globais, já foi alvo de polêmicas semelhantes envolvendo líderes mundiais. Em 2024, nos Estados Unidos, agentes do Serviço Secreto que acompanhavam o então presidente, Joe Biden, compartilharam sua localização por meio do app. No mesmo ano, na Rússia, relatórios revelaram que a plataforma expôs a presença de guarda-costas de Vladimir Putin em propriedades luxuosas que o Kremlin negava possuir.
Além dos registros individuais, a função de “mapa de calor” (heat map) do Strava também é um alvo frequente de polêmica. O recurso disponibiliza a atividade de seus usuários no mundo inteiro e permite que o internauta dê zoom e veja no mapa onde outras pessoas estão se exercitando naquele momento.





