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‘Sairemos disso até o final de 2021’, diz Bill Gates sobre pandemia

Bilionário e filantropo falou sobre vacina contra o coronavírus, teorias da conspiração e cloroquina em entrevista para a 'Bloomberg'

Por Da Redação - Atualizado em 13 ago 2020, 12h58 - Publicado em 13 ago 2020, 11h56

O bilionário e cofundador da Microsoft Bill Gates teve seu nome ligado à pandemia de coronavírus por motivos bons e ruins. Por um lado, a Fundação Bill & Melinda Gates investiu mais de 350 milhões de dólares para combater a doença, incluindo apoio ao desenvolvimento de vacinas da AstraZeneca, Johnson & Johnson e Novavax. Por outro, o filantropo foi alvo de teorias da conspiração por negacionistas, que defendem a tese esdrúxula de que Gates teria disseminado a Covid-19 para ganhar dinheiro.

Em entrevista à Bloomberg, Gates falou sobre as previsões para o desenvolvimento da vacina, as dificuldades com os que o colocam como culpado pela pandemia e a esperança de superar a pandemia. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Vacina
A vacina inicial não será ideal em termos de eficácia contra doenças e transmissão. Pode não ter uma longa duração e será usada, principalmente, nos países ricos como medida provisória. Teríamos a sorte de ter uma opção antes do final do ano. Em 2021, outras vacinas provavelmente serão aprovadas. Com tantas empresas trabalhando nisso, podemos nos dar ao luxo de ter alguns fracassos e ainda construir algo de baixo custo e longa duração.

Negacionistas
As duas vezes que estive na Casa Branca [desde 2016], disseram-me que eu deveria ouvir negacionistas, como Robert Kennedy Jr. (filho de Bob Kennedy e ativista ligado ao movimento antivacina). Então, sim, é irônico que as pessoas estejam questionando vacinas e, na verdade, temos que dizer: ‘Oh, meu Deus, de que outra forma você pode sair de uma pandemia trágica?’

Teorias conspiratórias
É estranho. Eles pegam o fato de que estou envolvido com vacinas e simplesmente revertem isso. Em vez de dar dinheiro para salvar vidas, estou ganhando dinheiro para me livrar de vidas. Se isso impede as pessoas de tomar uma vacina ou de olhar os dados mais recentes sobre o uso de máscaras, então é um grande problema.

Cloroquina
Esta é a era da ciência, mas às vezes não parece assim. No tubo de ensaio, a hidroxicloroquina parecia boa. Por outro lado, há muitos medicamentos terapêuticos bons chegando, que comprovadamente funcionam sem os efeitos colaterais graves.

Fim da pandemia
As inovações terapêuticas começarão a reduzir o índice de mortalidade, mas o verdadeiro fim virá com a disseminação de infecções naturais e a vacina que nos dará imunidade coletiva. Para os países ricos, isso acontecerá no próximo ano, de preferência no primeiro semestre. Sairemos disso até o final de 2021. Temos sorte que esta não é uma doença mais fatal.

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