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“Fique deitadão”: conheça o movimento de quem não quer trabalhar

O fenômeno, que se espalhou dos EUA à China, opta pelo desemprego em vez de más condições de trabalho

Por Sabrina Brito Atualizado em 2 fev 2022, 17h32 - Publicado em 2 fev 2022, 17h29

Ao longo do final de 2021 e do começo de 2022, tornou-se popular pelo mundo o conceito de “Great Resignation” (algo como “Grande Pedido de Demissão”). Como consequência do movimento, um número recorde de trabalhadores se demitiram nos mais diversos campos do mercado de trabalho. Mas o que é o Great Resignation?

O termo foi cunhado para descrever a grande onda de pedidos de demissões registrados durante a pandemia, com o adendo de que é provável que vejamos novas ondas após o fim do surto mundial de Covid-19. Apenas em julho de 2020, poucos meses após o início da pandemia, quatro milhões de pessoas pediram as contas nos Estados Unidos, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. O recorde foi quebrado em abril de 2021, novamente em julho e depois em agosto. Não à toa, é nos EUA que o Great Resignation encontrou maior popularidade.

No país norte-americano, a pandemia acabou por escancarar graves problemas no mercado de trabalho, fazendo com que trabalhadores se tornassem cada vez menos dispostos a aceitarem vagas com baixos salários, sem garantias e com longas jornadas. Além disso, é preciso ter em mente que os custos de moradia cresceram muito, prejudicando ainda mais a economia doméstica e a saúde mental dos empregados.

Outro ponto que afasta o trabalhador do mercado é o bom auxílio fornecido pelo governo aos desempregados durante a crise da Covid-19, de modo que arranjar um novo emprego não é mais tão urgente quanto já foi. Existe ainda, para quem se demitiu, a opção de trabalhar como freelancer — trabalho que, durante o fechamento de diversos espaços e escritórios tornou-se extremamente requisitado por todo o planeta. Freelancers desfrutam de muito mais liberdade e autonomia do que suas contrapartes contratadas em regimes fixos.

O fenômeno da Grande Demissão tem sido tratado pela imprensa dos Estados Unidos como um movimento contra empresas abusivas e cargos mal compensados, de forma que se trataria de algo muito maior do que uma resposta à pandemia. Especula-se que o Great Resignation possa acabar levando a uma maior regulamentação do mercado de trabalho norte-americano, onde as leis e garantias trabalhistas são muito menos sólidas do que no Brasil.

Na China, o Grande Pedido de Demissão ganhou outro apelido: Lie Flat, ou “Fique Deitadão”. No país asiático, inúmeros jovens têm rejeitado empregos tradicionais em nome do desemprego. O fenômeno, iniciado nas redes sociais, vai contra a ideia de trabalhar nove horas por dia, seis dias por semana, como é de costume em alguns setores na China. Já no Japão, em outra manifestação do tipo, o governo recentemente propôs um encurtamento da semana útil, que passaria a ter quatro dias em vez de cinco.

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