Alison dos Santos: um ano milagroso e sem barreiras
Piu ganhou o Campeonato Mundial de Atletismo disputado em Budapeste, na Hungria, com a terceira melhor marca da história
Houve sempre imenso fascínio com a prova dos 100 metros rasos do atletismo — a disputa para saber quem é, afinal, a mulher e o homem mais rápidos do planeta. Entre elas, o recorde mundial é da americana Florence Griffith-Joyner (1959-1998), de 10s49, estabelecido em 1988. Entre eles, o dono do cetro é o jamaicano Usain Bolt, com a impossível marca de 9s58, de 2009. De um tempo para cá, com o sumiço de novas estrelas na rainha das corridas, uma outra modalidade ganhou extraordinário relevo, celebradíssima — os 400 metros com barreiras, casamento de força anaeróbica, ritmo e inteligência tática. Calhou ainda de vivermos um momento espetacular, com uma “santíssima trindade masculina” no apogeu, brigando pelo pódio e contra o relógio: o brasileiro Alison dos Santos, o Piu, o norueguês Karsten Warholm e o americano Rai Benjamin. Alison fez de 2026 um ano milagroso, ao cravar 45s80, há pouco mais de um mês, em Zurique, para pulverizar o cronômetro. O mais recente recorde mundial em pistas de atletismo, entre brasileiros, tinha sido os 17m89 de João do Pulo, em 1975. No domingo 13, Alison ganhou o Campeonato Mundial de Atletismo disputado em Budapeste, na Hungria, com a terceira melhor marca da história. Foram doze meses invicto, sempre na frente. Não há dúvida: medalhista de bronze em 2021 e 2024, ele é favorito ao ouro nos Jogos de Los Angeles, em 2028. “Corri rápido, tive ótimos resultados e queria terminar a temporada lá no alto. O clima estava ótimo aqui em Budapeste, adorei a energia da torcida, foi incrível, e agora é hora de celebrar”, disse o campeoníssimo, cuja velocidade só não é maior do que o sorriso e a cabeleira de seu novíssimo estilo.
Publicado em VEJA de 18 de setembro de 2026, edição nº 3013







