Dilma anuncia aceleração do programa de bolsas no exterior

Serão concedidos 75.000 benefícios para graduação e pós-graduação

Por Rafael Lemos - 21 jun 2011, 19h13

A presidente Dilma Rousseff mandou acelerar o programa do governo federal que vai conceder 75.000 bolsas de estudo para graduação e pós-graduação no exterior. Em cerimônia que homenageou os 504 medalhistas de ouro da VI Olimpíada Brasileira de Matemática nas Escolas Públicas (Obmep) nesta terça-feira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Dilma disse que as primeiras bolsas sairão já no segundo semestre deste ano. Atualmente, segundo o próprio governo, são oferecidas cerca de 6.000 bolsas para o exterior por ano.

“Obviamente que nós vamos começar um pouco mais lentamente. Mas não se trata de qualquer universidade internacional. O que nós queremos é que as nossas bolsas estejam nas melhores universidades do mundo, seja nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, ou em países emergentes como a China”, afirmou Dilma em seu discurso. Ela disse ainda sentir “muito orgulho de ser presidenta de uma nação que conta com meninos, meninas e jovens tão determinados.” A presidente incumbiu da tarefa os ministros Fernando Haddad, da Educação, e Aloizio Mercadante, de Ciência e Tecnologia.

Os medalhistas homenageados no evento podem se candidatar às novas bolsas. No entanto, a Olimpíada já garante aos 3.200 alunos com medalhas (504 de ouro, 900 de prata e 1.800 de bronze) bolsas de estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a possibilidade de participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) por um período de 12 meses. Ao todo, essa edição dos jogos matemáticos contou com quase 20 milhões de alunos inscritos em 44.717 escolas públicas de 5.518 municípios do país (99,2% do total). Foi o recorde da competição, inaugurada em 2005.

A presidente enfatizou a importância do programa para o desenvolvimento do país. De fato, se quiser crescer à taxa de 5% ao ano, o Brasil precisa investir na formação de profissionais qualificados em carreiras que já apresentam gargalos importantes, como engenharia. E aproveitou para reafirmar seu compromisso com o programa Brasil sem Miséria. “Nós temos que ter consciência de que ainda tem um pobreza extrema nesse país e que não podemos aceitar viver com ela”, destacou.

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Dirigindo-se diretamente aos jovens craques da matemática, Dilma esclareceu que a homenagem está longe de ser um exagero. “O Brasil se orgulha de vocês porque é pré-condição para o nosso país avançar na direção de ser um dos grandes países desenvolvidos das próximas décadas a capacidade dos brasileiros de agregar valor ao que produzem. E, no mundo de hoje, agregar valor é agregar conhecimento. A matemática talvez seja a ciência mais imprescindível para qualquer esfera da atividade humana quando se trata de inovação e produção de tecnologia”, disse a presidente.

Do Brasil para o mundo – No dia 14 de julho, seis jovens brasileiros embarcam para a Holanda, onde representarão o Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO). Três deles são estudantes de escola pública e acumulam cinco medalhas de ouro na Obmep. A partir do próximo dia 26, eles receberão treinamento específico para a competição. Para isso, serão obrigados a abandonar momentaneamente as aulas em suas respectivas escolas.

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É o caso de Maria Clara Mendes Silva, 16 anos. Aluna do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Cel. Oscar de Castro, ela confessa que a competição é o que a estimula a estudar. “Não tiro notas altas em todas as matérias. Só tiro nota alta quando estudo. É o que acontece com a matemática. Como estudo para a competição, acabo tirando boas notas também no colégio”, conta a menina, que sonha em estudar na Universidade de Harvard.

Harvard também está na lista de Henrique Fiuza, 15 anos. Aluno do Colégio Militar de Brasília, o adolescente sabe que um bom desempenho em Amsterdã pode lhe render uma vaga em universidades renomadas do exterior. “A gente sabe de gente que conseguiu bolsa depois de participar da Olimpíada Internacional. Independente do programa do governo, vou tentar Harvard e algumas outras”, planeja o adolescente, que está no 2º ano do ensino médio.

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Outro que almeja uma bolsa no exterior é André Macieira Braga Costa, 16 anos, aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte. Ele conta que se surpreendeu quando ficou em 33º lugar na sua estreia na Obmep, em 2007. “Isso me motivou a estudar mais. No ano seguinte, já fiquei em primeiro”, conta, orgulhoso, o menino que está em dúvida sobre qual vestibular prestar: “Quero engenharia, mas ainda não sei qual. Pode ser mecânica, elétrica ou mecatrônica”.

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