A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem destroçado o mercado financeiro mundo afora. No Brasil, as empresas listadas no Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3, já perderam cerca de 1,8 trilhão de reais este ano. Com a aversão ao risco e a volatilidade em alta, o volume negociado não para de atingir novos recordes. No pregão desta sexta-feira, 20, o giro foi acima de 33,4 bilhões de reais. Mas isso não deve continuar assim por muito tempo. Segundo fontes do mercado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é um dos atores que está pressionando a Bolsa de Valores a interromper suas negociações diárias.
Com a disseminação da enfermidade no Brasil — os números de casos confirmados já chegam próximo a 1.000 —, será difícil com que a B3 mantenha as negociações funcionando. Na China, onde a Covid-19 fora descoberta, as principais bolsas de valores do país ficaram trancadas até o início de fevereiro. Foram dez dias de paralisação, três a mais do que a pausa habitual, que ocorre em comemorações ao Ano-Novo Lunar, também conhecido como “Festival de Primavera”. O motivo da pausa prorrogada foi o rápido contágio do vírus no país.
O estado de calamidade pública declarado deve fazer com que a B3 ceda. Autoridades do governo e diversas corretoras também endossam que a bolsa teria de ser interrompida, visando o bem da saúde de seus funcionários e do mercado acionário. “Há muitos traders com raiva. A bolsa deveria ser paralisada. Estamos falando de vidas”, diz um analista do mercado que prefere não se identificar. “Eles não devem querer fechar porque o volume mais que dobrou nos últimos tempos. Todo mundo está operando muito e eles estão ganhando dinheiro.”
A próxima semana deve ser decisiva para isso. O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, terá diversos encontros nos quais irá avaliar a situação. Ressalta-se que a decisão de manter ou não as negociações a pleno vapor é da própria B3. As bolsas americanas, que também registram quedas excessivas com a disseminação da doença, também estão sendo pressionadas a tomar uma medida. Nos bastidores, fala-se em uma paralisação no início de abril, por cerca de 15 dias, da New York Stock Exchange (Nyse), a empresa que gere a bolsa nova-iorquina. Caso a bolsa americana tome esta decisão, a paulista será obrigada a seguir os passos. A CVM, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que “não há, neste momento, nenhuma discussão ou pressão junto à B3 com o intuito de gerar a interrupção dos negócios realizados em Bolsa”.