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Woody Allen, 76, diz que vai filmar enquanto ‘a saúde deixar’

Diretor já se encontra imerso no próximo projeto, rodado em San Francisco

Por Da Redação 19 set 2012, 17h42

O cineasta americano Woody Allen, 76, declarou, durante coletiva de imprensa do filme Para Roma com Amor na Espanha, que pretende seguir trabalhando até que sua saúde agüente e enquanto ganhar dinheiro. “Gosto de fazer filmes, de escrevê-los, de ir trabalhar de manhã e estar a cada dia com Penélope Cruz, Naomi Watts e todas as mulheres bonitas com as quais já trabalhei”, ironizou o diretor, que diz ser consciente de que não dispõe do mesmo nível de “concentração e paciência” que levava Stanley Kubrick à perfeição.

Após Para Roma com Amor, o diretor segue seu ritmo frenético, de quase um filme por ano, e já se encontra imerso no próximo, que será rodado em San Francisco. Como ainda não sente vontade de parar, Allen acredita que deverá voltar à Europa no futuro, ou ir à América Latina, Rússia e China, ou seja, onde sua próxima ideia nascer.

Após o turno de Londres, Barcelona e Paris, o cineasta, que não descarta a possibilidade de rodar um filme na América Latina, voltou à Europa para modelar uma história escrita especialmente para Roma. Em sua opinião, esta é uma cidade enérgica, complicada, cheia de barulho, com trânsito “por todas as partes” e pessoas “que não levam a vida muito a sério”.

Allen também admite que o financiamento é um dos principais motivos para rodar filmes que possuem cidades como protagonistas, como ocorreu com seus últimos longas. No entanto, o cineasta diz não se vender para quem financia seus filmes. “Aceitam trabalhar sob minhas condições. Nos EUA, isso não agrada e não me dão dinheiro. No final, eles não leem nem o roteiro e compram só a minha figura”, declarou.

Esse acordo de financiamento acaba beneficiando ambas as partes, já que o diretor consegue filmar em lugares que lhe “encantam”, e os investidores obtêm uma grande publicidade em troca. Pelas duas razões, a crítica bate nos filmes dizendo que eles não são mais que guias turísticos das cidades retratadas. E guias repletos de estereótipos.

O nova-iorquino, que entrou para a história do cinema com filmes como Manhattan e Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, reconhece que os novos longas não tenham em seus genes o necessário para realizar uma obra-prima. “Eu tentei e seguirei tentado. Acho que fiz bons filmes na minha carreira, alguns normais e outros ruins. Em relação à obra-prima, sempre tento e nunca consigo e, após todo este tempo, começo a pensar que talvez nunca consiga alcançá-lo.” Mas esse destino parece decepcionar mais à crítica que ao próprio Allen, que, por sua vez, diz estar satisfeito com o ritmo que leva. Allen também disse que o principal objetivo de seus filmes é “entreter as pessoas”, o que, para ele, deveria ser prioridade para qualquer diretor.

Allen, que volta às telas neste último longa-metragem pela primeira vez em seis anos, admite que, quando tem confiança nos atores, não necessita nem mesmo entender o que estão dizendo. “Atores como Javier Bardem e Penélope Cruz já eram incríveis antes dos meus filmes e continuarão sendo depois. Em Vicky, Cristina, Barcelona, eu disse a eles para que improvisassem. Nunca soube o que diziam e nem agora, mas eles são e foram convincentes e isso é o suficiente.” A espanhola Penélope Cruz, que em seu segundo filme com Allen encarna uma prostituta, é para o cineasta “um presente” e “uma estrela de cinema, muito bonita, muito sexy” e, o mais importante de tudo, “uma atriz extraordinária”.

(Com agência EFE)

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