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Os números que atestam a ascensão irresistível de Bad Bunny no Brasil

Astro porto-riquenho se apresenta hoje e amanhã em São Paulo, com shows esgotados no Allianz Parque

Por Amanda Capuano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 fev 2026, 08h30 • Atualizado em 20 fev 2026, 10h59
  • Na noite desta sexta-feira, 20, o porto-riquenho Bad Bunny apresenta o primeiro dos dois shows que fará em São Paulo em sua primeira vinda ao Brasil. Artista global mais ouvido no Spotify no ano passado, e também entre 2020 e 2022, o astro da música latina precisou romper a barreira da língua para se consolidar por aqui, abrindo trincheiras em um mercado que não esconde a preferência por ritmos nacionais como o sertanejo e o funk. A paciência, no entanto, deu resultado, e o artista se apresenta no Allianz Parque com ingressos esgotados.

    Aguardada pelos fãs, a passagem de Bad Bunny pelo Brasil é fruto da penetração gradual dele por aqui. O crescimento começou em 2022, quando os streamings do artista no Spotify saltaram 70% no país. De lá para cá, as reproduções dispararam em mais de 170%, boa parte delas impulsionadas pelo álbum Debí Tirar Más Fotos. Lançado em janeiro do ano passado, o disco é o primeiro trabalho em espanhol a vencer o prêmio máximo no Grammy, e virou fenômeno em todo o mundo. “Desde o lançamento, a gente começou a vê-lo muito presente nos charts. Ele ficou 19 dias no top 100 dos artistas mais ouvidos no Brasil, enquanto Debí Tirar Más Fotos ficou quase dois meses no top 200 das músicas mais ouvidas. É muito raro isso acontecer com artistas internacionais”, conta Carolina Alzuguir, head de música do Spotify Brasil.

    Outro fator que teve impacto significativo por aqui foi o show do Super Bowl, visto pormais de 128 milhões de pessoas no início do mês. Exibido na televisão brasileira pelos canais da Globo e pela ESPN, e comentado à exaustão pela forte mensagem política do artista, que exaltou a latinidade no principal palco dos Estados Unidos de Trump, a apresentação fez saltar em 426% o número de reproduções nas primeiras horas após a apresentação, com músicas que estiveram na setlist, como Yo Perreo Sola e El Apagón aumentando em mais de 1700%.

    Com 20 anos de experiência na indústria musical, a Alzuguir conta que viu ao longo do tempo diversos fenômenos globais não emplacarem no Brasil por conta da predileção do público pelas músicas em português e, em casos específicos, em inglês. A situação, no entanto, deu uma virada recentemente. “Foram raríssimos os casos que a gente viu um artista que fala espanhol estourando no Brasil, você conta nos dedos os casos como Ricky Martin e Shakira. Agora, a gente está vendo isso com mais frequência”, atesta ela, citando Bad Bunny como líder do movimento, e nomes como a espanhola Rosalía, os mexicanos Fuerza Regida e Peso Pluma e a colombiana Karol G como outras figuras de destaque.

    Essa mudança é puxada, especialmente, pelos mais jovens: segundo o Spotify, 73% da audiência de Bad Bunny na plataforma é composta por ouvintes que estão na faixa entre os 18 e os 34 anos de idade, incluindo a geração Z e a parte mais jovem dos millennials. São eles, inclusive, os responsáveis por impulsionar artistas não apenas no streaming, mas também nas redes sociais, o que aumenta e muito o potencial de viralização dos artistas. A expectativa, portanto, é que a ascensão da música latina siga com tudo por aqui, trazendo uma diversidade bem-vinda para o mercado.

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