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Os crocs agora são pop

Os calçados que já apareceram entre as coisas mais horrendas da civilização tornam-se queridinhos dos fashionistas e figuram na lista de itens desejados

Por Cilene Pereira Atualizado em 30 jul 2021, 11h26 - Publicado em 30 jul 2021, 06h00

Eles já foram eleitos uma das piores invenções da história, mas hoje ocupam lugar de destaque na lista dos itens fashions mais desejados, segundo levantamento da Lyst, uma das maiores plataformas de venda e análise de comportamento do consumidor. Também estão entre os assuntos mais citados nas redes sociais. Só no TikTok são 2,1 bilhões de menções. Os crocs, os calçados que dividem o mundo entre lovers e haters, ficaram pop. Chegaram em versão dourada à cerimônia do Oscar 2021 nos pés do músico Questlove, estão no figurino da rapper Nicki Minaj em modelo com pedrinhas brilhantes formando a marca Chanel e atraíram o cantor Justin Bieber para parcerias. Outros fizeram o mesmo, assim como grandes casas da alta-costura. A italiana Gucci foi a primeira a emprestar símbolo e prestígio ao chinelo. A espanhola Balenciaga, que pertence ao mesmo grupo da Gucci, criou exemplares com salto alto para a próxima temporada primavera-verão.

Os números de venda impressionam. Nos primeiros seis meses de 2021, a receita chegou a 640 milhões de dólares, 93% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado. E, para onde se olhe daqui em diante dentro da cena fashion, os crocs estarão lá. No relatório da StockX, plataforma de venda de itens de luxo, eles são tendência. Há algo de intrigante no fenômeno crocs. É certo que ele atende ao desejo por peças confortáveis, uma das heranças da pandemia. Mas também é verdade que desde seu lançamento, em 2002, o calçado carrega o estigma de ser grotesco até. Tanto assim que em 2008 ele quase saiu do mercado e só retomou as vendas com força em 2016, quando começaram as parcerias. O que ajuda a explicar a febre é a onda “ugly shoes” (sapatos feios). Ou seja, vestir peças horrendas virou atitude transada, coisa cool. “Há um aspecto psicológico também, que é o de chamar a atenção por meio do uso de sapatos feios”, diz Adriana Farina, diretora criativa da marca de calçados que leva o seu nome. Embora seja um apelo forte para os fashionistas, muitos permanecem de fora dessa moda. A estilista inglesa Victoria Beckham, por exemplo, agradeceu ao amigo Justin Bieber o par de crocs que recebeu em abril, mas foi sincera. “Prefiro morrer a usar, mas agradeço”, postou no seu Instagram. Tem gente que não troca seu Jimmy Choo ou Ferragamo por nada. Ainda bem.

Publicado em VEJA de 4 de agosto de 2021, edição nº 2749

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