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O poder de escolha da CazéTV na Copa do Mundo que tira o sono da Globo

Emissoras de dividem na transmissão do torneio futebolístico, com prioridade para o canal digital

Por Amanda Capuano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 08h02
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Desde o início da Copa do Mundo, uma pergunta insistente martela na cabeça do público: por que, afinal, alguns jogos importantes não estão sendo exibidos na Globo e Sportv? A resposta passa pela aquisição dos diretos da emissora, que comprou apenas metade das partidas do mundial — mas também pela lógica de escolha dos jogos, que acontece a cada rodada do torneio — em um processo no qual a CazéTV tem o poder de escolher quais partidas não passarão na concorrência.

Antes de cada rodada, os detentores dos direitos se reúnem para escolher quais jogos serão exibidos em cada canal. Com o pacote completo, a CazéTV exibe todos os jogos, mas também dita quais deles vão ser exclusivos — na prática, vetando a exibição na concorrência. A escolha acontece de maneira alternada, o que acaba fazendo com que a Globo fique sem alguns jogos importantes, como as estreias da Argentina e da Alemanha na fase de grupos, ou o confronto entre Holanda e Marrocos na primeira fase do mata-mata.

Na prática, o que acontece é o seguinte: a Globo escolhe um jogo para exibir em seus canais e, na sequência, a CazéTV seleciona uma partida para passar de maneira exclusiva no YouTube. O processo se repete até que todos os confrontos tenham sido acomodados, e o SBT seleciona uma das partidas exibidas pela Globo para transmitir também em seu canal, junto com a N Sports. A ordem da escolha também é alternada: quem começa selecionando em uma rodada, perde a prioridade na seguinte, e assim por diante.

Nos 16 avos, por exemplo, a Globo exibe oito partidas. A seleção contempla jogos como Alemanha x Paraguai, Costa do Marfim x Noruega e Argentina x Cabo Verde, mas deixa de fora França x Suécia, Portugal x Croácia e outros jogos exclusivos da CazéTV. Com o avanço do torneio, as escolhas vão se afunilando cada vez mais: nas oitavas, o canal da família Marinho pode exibir quatro jogos. Nas quartas, dois. E na semifinal, apenas um. Os confrontos do Brasil e a grande final ficam de fora desse toma lá da cá, e são transmitidos por todos os canais.

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Por que a Globo abriu mão de metade da Copa do Mundo?

Em 2021, a emissora da família Marinho renegociou o contrato que tinha com a Fifa, no valor de 90 milhões de dólares anuais pelos direitos de transmissão, e passou a pagar 40 milhões por ano. Afetada pela pandemia, visando cortar custos — e sem dar à internet seu devido valor —, abriu mão da exclusividade da Copa de 2022 e do torneio seguinte no mundo virtual e, mais tarde, optou por comprar apenas metade dos jogos do torneio de 2026. 

São várias as teorias para a decisão da Globo. Nos bastidores, a justificativa mais aceita é que, quando renegociou seu contrato com a Fifa, a emissora julgou que, com o aumento de 64 para 104 jogos em 2026, exibir todos eles afetaria demais sua grade e não compensaria o custo elevado. “O grande desafio é combinar a escalada dos custos de direitos e a estratégia para capturar a atenção do torcedor, que está fragmentada”, disse Manuel Belmar, CFO da Globo, em reportagem de VEJA. Hoje, a visão é de que o negócio subestimou a concorrência e se revelou um erro estratégico que deu de bandeja à Cazé o mote de ser “a única a ter todos os jogos da Copa”.

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A disputa pela audiência 

A transmissão da Copa do Mundo nunca antes foi tão fragmentada: as partidas se dividem na televisão aberta entre Globo e SBT, com a Cazé TV exibindo os jogos no YouTube. Nas partidas do Brasil, os três tem direito de transmissão, assim como Sportv e N Sports, que exibem o torneio na tv por assinatura.

Nessa disputa, a CazéTV saiu do posto de zebra para o de artilheira ao ser a única com os direitos de exibição de todas as 104 partidas do torneio: a Globo adquiriu apenas 55 partidas, e 32 delas são divididas com o SBT, que desembolsou 25 milhões de reais pelos direitos. Em meio à competição, os canais tem se alfinetado ao vivo: Globo e SBT cutucam o delay do canal digital alardeando que a tv aberta grita gol antes, enquanto a CazéTV exalta o fato de ser a única a exibir todos os jogos do torneio.

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Quando o assunto é alcance, a TV aberta segue na liderança: na fase de grupos da competição, ao menos 88% do público passou pelas transmissões de Globo e SBT. Com a TV aberta, o SporTV e a plataforma on-line GE TV, o grupo Globo aparece em uma posição dominante, com 28% acompanhando as partidas de maneira exclusiva pelos canais da empresa. A posição, no entanto, já não é tão confortável quanto no passado, já que agora divide espaço e perde parte da audiência para o SBT e a CazéTV, que vem conquistando cada vez mais público no meio digital.

 

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