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O desfile do Salgueiro que foi pioneiro ao retratar a escravidão no Brasil

Em 1960, o enredo ‘Quilombo dos Palmares’ deu à escola seu primeiro título

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 fev 2026, 19h03 •
  • O ano era 1960 e o carnavalesco Fernando Pamplona acabava de ser convidado por Nelson de Andrade, presidente da escola de samba, a assumir o comando artístico do Salgueiro. Nos anos seguintes, o artista encabeçaria enredos sobre figuras históricas como Xica da Silva, Chico Rei, Dona Beija e Aleijadinho — mas nenhum seria tão memorável quanto o primeiro: Quilombo dos Palmares, sobre o líder Zumbi e seus conterrâneos.

    Aquela seria a única vez na qual Pamplona imporia o tema do enredo, sem segunda opção. Pouco antes, o organizador havia estudado a fundo a história do quilombo e das estratégias de guerrilha empregadas por escravos rumo à liberdade. De acordo, a equipe criativa montou um suntuoso desfile. Para o resultado final, colaboraram a suíça Marie Louise Nery e seu marido Dirceu, Nilton de Sá e o figurinista e cenógrafo Arlindo Rodrigues. Para a composição do samba-enredo, foram recrutados Noel Rosa e Anescarzinho. Outra opção foi composta por Djalma Sabiá e era ainda mais enfática do que a final: “No meio da densa floresta surgiu uma grande nação. O império do negro Zambi se expandiu no sertão e com ele nasceu a revolta contra a escravidão”.

    Para além do tema ousado, o desfile teve como desafio a resistência de parte de seus integrantes a vestir as fantasias de escravos, crentes de que a indumentária contrariava o glamour da festividade. Pamplona, por sua vez, foi inflexível, defendendo que o protagonismo negro seria inédito e colocaria a escola nas capas de todos os jornais. 

    Dividido em cinco partes — o cativeiro, a luta, os quilombos, o séquito de Zumbi e a nação livre —, o desfile ocorreu sob forte chuva, mas perseverou. Para além da significância do enredo, foi também marcante a participação de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

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    Apesar de ser apontada como a escola favorita pela imprensa, o Salgueiro inicialmente foi derrotado pela Portela devido a um atraso que não era da culpa das escolas, mas do clima. Em meio à polêmica, o presidente da Portela, Natal da Portela, decidiu dividir o título com as quatro agremiações que figuravam no Top 5. Desta forma, o Salgueiro conquistou seu primeiro título oficial — e entrou para a história. 

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