‘MasterChef’ conquistou espaço na história da TV
É na influência fora da tela que uma atração se torna grande
É bem provável que o MasterChef Brasil seja o programa de maior sucesso na história da Band – se consideradas atrações avulsas, e não o conjunto da cobertura esportiva, grande marca da emissora. Nem o criativo CQC, que revelou tantos talentos hoje globais, teve tanta repercussão e uma presença tão sólida no primeiro lugar da audiência quanto o reality culinário, que elegeu Michele como campeã da quarta temporada.
Há um aspecto, porém, que coloca a atração em um lugar especial na história da TV nacional: seu poder de influência fora da tela. É notório que boa parte do público descobriu o prazer da cozinha com o show e passou, por meio dele, a sofisticar seu vocabulário gastronômico, do “ponto para menos” aos “contrastes de acidez”. Não à toa o programa atrai um batalhão de anunciantes, em geral ingredientes e utensílios, que se beneficiam desse comportamento. Assim, fica na mesma prateleira de novelas como Roque Santeiro e O Clone, que tanto influenciaram a moda das ruas, ou dos programas de variedades que mudam, até hoje, a vida dos cantores que se apresentam em seu palco.
Com o formato sem sinais de esgotamento, a Band já prepara o lançamento de outra temporada com profissionais. A cada edição que coloca no ar, porém, reforça um paradoxo: o programa melhor é quanto mais próximo da cartilha da franquia internacional a emissora fica. As intervenções locais não raro resvalam no tolo, como a edição que criou funks com os memes do show, ao trash, como na prévia que antecede o programa para valer, encerrada sem pé nem cabeça quando a novela da Globo acaba. A revelação-merchan desta última final, em que as duas finalistas empunharam celulares do patrocinador, mas apenas a vencedora recebeu a ligação, foi um bom exemplo na direção contrária. Como se trata de uma exceção, fica clara a dificuldade de renovar a atração a médio prazo. Se é que isso se faz necessário. Como nas receitas de sobremesa, seguir a receita à risca pode ser a mais inteligente das escolhas.






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