Em novo disco de Harry Styles, o instrumental é o verdadeiro astro
VEJA ouviu com antecedência o álbum ‘Kiss All The Time. Disco, Ocasionally’, que chega às plataformas de streaming na próxima sexta-feira, 6
Desde As It Was, o principal hit de Harry’s House, último álbum do britânico Harry Styles, o cantor deixa bem claro o seu gosto pela música dos anos 1980. Agora, em seu novo trabalho Kiss All The Time. Disco, Ocasionally — disponível nas plataformas de streaming a partir de sexta-feira, 6 de março —, ele dedica o maior espaço possível a essa paixão.
Longe da banda One Direction desde 2015, Harry Styles foi o mais bem-sucedido do grupo em carreira solo. Seu primeiro disco, autodenominado, de 2017, surpreendeu o público e a crítica pela abordagem madura e com influências bem executadas do britpop. O prestígio absoluto veio com Fine Line, de 2019, que na primeira semana de vendas quebrou o recorde de vendas nos Estados Unidos para um álbum de artista solo masculino do Reino Unido, categoria que não tinha números tão relevantes desde 1991.
Três anos depois, em Harry’s House, a sensualidade e romantismo latentes de Fine Line foram deixados de lado para dar espaço a sub gêneros como o city pop e o synth pop, ferozes na década de 1980, principalmente. A escolha parece se repetir em Kiss All The Time. Disco, Ocasionally, cuja música de abertura Aperture – literalmente “abertura”, em inglês – já dita a atmosfera geral do álbum: explosivo na medida certa e com uma saudação ao eletrônico. Tudo isso feito de forma absolutamente sutil, com Styles juntando uma série de elementos que fazem do instrumental do álbum a sua parte mais interessante, como os sons frenéticos e repetitivos ao fundo, os vocais abafados e com uma pitada de reverb, o BPM rápido e linhas de bateria intensas.
Seus vocais são pouco audaciosos — não há nada como as notas estridentes de Sign of The Times — e quase sempre soam como o acompanhamento do instrumental. A maior parte das músicas se mantém fiel a esta abordagem, priorizando sons eletrônicos ao invés de instrumentos convencionais para acompanharem a melodia. Em The Waiting Game, sexta faixa do disco, o refrão é tomado pela presença de sintetizadores soando como instrumentos de cordas. Na faixa Pop, o sintetizador se destaca novamente, acompanhando os vocais de Styles com uma execução bastante aguda.
No geral, o novo disco de Styles é uma leitura atenta ao ambiente do pop atual. Após o sucesso de Brat, de Charli XCX e do intenso Virgin, de Lorde, a música eletrônica – ou variações dela – tem se fundido cada vez mais ao pop e provando formar uma combinação para lá de interessante. Apesar disso, o britânico não se joga de cabeça nessa tendência: momentos como Taste Back e Paint By Numbers ainda são doces e emotivos, o que deve agradar os fãs mais puristas, ainda órfãos das músicas mais melosas da boy band que começou tudo.
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