Após se apresentar na abertura da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, o rapper americano Pitbull voltou ao país para participar de outra paixão nacional: o Carnaval. Em um dia, ele subiu no trio ao lado de Claudia Leitte, a quem chama de “rainha do Brasil”.
Em entrevista a VEJA, ele fala da sua experiência na Copa, incluindo os problemas com a organização, e mostra o seu ponto de vista a respeito de cantoras brasileiras que fazem ou já fizeram as suas apostas no mercado internacional, como Anitta e Pabllo Vittar, além da própria Claudia.
Para Pitbull, além do pacote beleza, voz e performance no palco, o importante é ter uma canção forte, que, no caso de Claudia Leitte, ele espera que seja Carnaval, parceria que dois acabam de lançar.
A canção We Are One, tema da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, abriu as portas do público brasileiro para você. Como foi a experiência? Poder estar no palco com duas mulheres poderosas — como a “rainha do Brasil”, que é a Claudia Leitte, e a Jennifer Lopez –, na festa de abertura da Copa, em um dos países mais bonitos do mundo, foi como um sonho realizado.
A Copa foi marcada por alguns episódios de desorganização. Você sentiu isso? O que aconteceu foi que a Copa chegou muito rápido, e o Brasil teve de fazer acontecer. Mas, olhe, foi como seria em qualquer país. Teve complicações? Teve. Mas a vida é cheia de complicações. É isso o que faz a história ainda melhor. O show precisa continuar.
Que tipo de complicações? No final das contas, (a organização) não estava pronta para o que ia acontecer naquele momento. Não a Copa do Mundo, mas as perfomances. Havia muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. O que precisamos fazer foi garantir que fôssemos complementares e não complicadores. “Ok, nós fizemos isso várias vezes antes. Então, não se preocupem, na hora nós vamos garantir que as pessoas tenham um bom show.”
Nas últimas décadas, diversos artistas brasileiros tentaram carreira internacional. Quem você acha que chegou mais perto disso? Algumas pessoas são “trendsetters” (criadores de tendências), vão abrir muitas portas para os artistas brasileiros. A Claudia Leitte é uma delas. Anitta também está fazendo um ótimo trabalho internacional. Atualmente, Claudia, Ivete (Sangalo) e Anitta são as três que fazem mais barulho internacionalmente. Mas uma gravação pode mudar tudo. Uma música que você menos espera chega lá e abre as portas para o mundo.
O que os artistas precisam ter para atingir esse mercado internacional? Isso você nunca sabe. É como uma roleta. O jogo da música está mudando muito. Spotify e YouTube estão transformando o rádio e o jeito como as pessoas nos conhecem. Eu acho que Claudia está pronta. É uma artista incrível, com uma ótima voz. Não apenas bonita, mas muito inteligente e um ótimo ser humano. Quando você coloca tudo isso junto, nada falta para você. Em qualquer país.
É o pacote de beleza, voz e performance no palco? Isso definitivamente é parte do pacote. Só que você pode ter tudo isso e ainda precisar de uma música. Vou te dar um exemplo: a canção que me fez conhecido no mundo foi Calle Ocho [I Want U Know Me]. Eu nunca ia pensar que essa gravação ia ganhar projeção.
Carnaval é a música que pode fazer a Claudia estourar fora do país? Nós esperamos que sim. Esperamos que Carnaval seja a canção. Especialmente, apresentando ela aqui no Carnaval. Vamos trabalhá-la da melhor forma possível. Eu e a Claudia fizemos história juntos, abrimos a Copa do Mundo, e estamos prestes a fazer de novo, de Miami ao Brasil.
Você conhece Pabllo Vittar? Pabllo Vittar?
É uma drag queen brasileira, que está fazendo muito sucesso por aqui. Eu acho que vi apresentações dela com Diplo, Fergie e Anitta. Eu ouvi falar, mas nunca ouvi as músicas. É incrível o que ele está fazendo, quebrando barreiras, fronteiras. Isso diz muito sobre ser o que se quer na vida e se mostrar para o mundo dessa forma. E produzir boas músicas, que fazem com que todo mundo queira estar com você.
É possível uma drag queen brasileira se sair bem no mercado americano? Claro. No mercado americano, nós temos Ru Paul, que explodiu na cena. Eu não sei por que não. Música boa é música boa. Não importa de onde você é, quem você é e o que você quer na vida. É essa a beleza da música. É uma linguagem universal. Você não julga ninguém. Você reúne as pessoas.