Trinta anos depois de seu lançamento, ‘Magic: The Gathering’ mostra cartas na manga
Ele mantém o apelo ao investir em coleções que constroem parcerias com séries e jogos famosos
Desde que foi lançado, em 1993, pelo matemático Richard Garfield, o jogo de cartas colecionáveis Magic: The Gathering foi um sucesso. O universo de fantasia clássico, inspirado no RPG Dungeons & Dragons, e a habilidade de montar baralhos, ou decks, a partir de diversas coleções, que somam mais de 20 bilhões de cartas, e infinitas possibilidades de combinações, atraíram uma legião de praticantes e colecionadores. Hoje, mais de trinta anos depois de seu início, a brincadeira vive o auge de sua popularidade. Produzida pela Wizards of the Coast, empresa que hoje integra o conglomerado de entretenimento Hasbro (dona de marcas como Transformers e My Little Pony), o Magic soma mais de 50 milhões de fãs, com faturamento anual de mais de 1 bilhão de dólares.
Parte de seu longevo apelo está no cenário competitivo. Cada jogador usa seu baralho para enfrentar os rivais. Pode conjurar magias, criaturas e encantamentos a partir da “energia” obtida de terrenos. Há cinco tipos, entre florestas, pântanos, ilhas, montanhas e planícies. O verde das florestas é associado a grandes criaturas. O preto dos pântanos é ligado a zumbis, vampiros e seres que podem retornar da morte. Combinar essas cores e poderes de forma a superar os adversários é o que move disputas como o World Championship, que oferece prêmios de até 1 milhão de dólares.
Mas e hoje, qual é a carta na manga para tanto sucesso de uma diversão desplugada? O casamento com outras marcas, em passo inovador e inteligente. Há parceria com O Senhor dos Anéis e o game pós-apocalíptico Fallout. A colaboração com a série Final Fantasy se tornou a coleção mais popular da história, arrecadando mais de 200 milhões de dólares em um único dia. “O segredo é encontrar as propriedades intelectuais certas que sejam complementares àquilo que os fãs de Magic possam gostar”, diz Chris Cocks, CEO da Hasbro. Para 2026, vários duetos já foram anunciados, como séries dedicadas a Tartarugas Ninja, Star Trek e O Hobbit.
Há, é verdade, quem prefira o cenário original, de fantasia medieval, e critique lançamentos como a recente edição dedicada ao Homem-Aranha, parte de uma costura com a Marvel. Mas parece não haver dúvida na mensagem que a permanência no topo sugere: a nostalgia embebida de atualidade faz bem aos negócios.
Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2026, edição nº 2977





