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Quarentões estressados aumentam a demanda por cannabis medicinal

Levantamento do maior banco de anamnese da América Latina aponta o esgotamento mental como principal motor da busca por essa terapia

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jan 2026, 20h28 • Atualizado em 7 jan 2026, 20h35
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    Foram casos graves, como epilepsia refratária e dor crônica, que romperam um histórico de preconceito e abriram caminho para a aceitação da cannabis como terapia medicinal. Em 2014, o Brasil concedeu a primeira autorização para que os pais de Anny Fischer importassem a substância para o tratamento da filha. Hoje, no entanto, o cenário mudou: o estresse passou a ser a principal condição associada à busca pela Cannabis medicinal no país, segundo o levantamento Blis Data 2025, considerado o maior banco de anamnese da América Latina. O perfil do público também se transformou. Homens na faixa dos 40 anos, esgotados mentalmente, lideram a procura pelo óleo de canabidiol — derivado da cannabis que não possui efeito psicoativo.

    A pesquisa ouviu mais de 30 mil brasileiros, distribuídos em cerca de 1.900 municípios, que responderam voluntariamente a questionários clínicos e perguntas sobre aspectos emocionais. São pacientes que buscavam acompanhamento médico com terapias alternativas, entre elas a cannabis medicinal. O recurso raramente surge como primeira opção de tratamento, aparecendo de forma tardia, quando persistem sintomas como insônia, ansiedade, estresse e até lapsos de memória. Para os pesquisadores, o dado indica que a Cannabis ainda é vista como um último recurso, reflexo de um preconceito que permanece forte.

    “Esses dados têm potencial para contribuir com a formulação de políticas públicas de saúde e ampliar o conhecimento sobre os efeitos desse tratamento, não apenas para a insônia, mas para diversas outras patologias”, afirma Toninho Correa, CEO da Blis. A empresa mantém o maior banco de dados do segmento canábico na América Latina, com mais de 30 mil anamneses catalogadas e qualificadas, voltadas tanto ao apoio à saúde pública quanto à produção de conhecimento científico sobre os usos e os efeitos dessa terapia no Brasil e no mundo.

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    O tamanho do sofrimento

    • 15 mil participantes se declaram em estado de estresse crônico

    • 40% já vivenciaram crises de pânico

    • 66% relatam acordar já estressados

    • 51% sofrem com falhas frequentes de memória

    • 43% afirmam sentir tristeza quase diariamente

    Quem são os pacientes
    Os dados mostram um público majoritariamente ativo:

    • 90% trabalham

    • 70% são casados

    • 37% têm filhos

    • 71% praticam atividade física regularmente

    • 55% fazem uso de medicamentos alopáticos

    • 53% consomem álcool com frequência

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