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O duradouro legado de ‘O Poderoso Chefão’, que completa cinquenta anos

A família Corleone continua a inspirar a política e os negócios com inigualáveis lições de liderança

Por André Sollitto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 12h22 - Publicado em 27 mar 2022, 08h00

Há uma cena em O Poderoso Chefão, a obra-prima de Francis Ford Cop­po­la, em que o patriarca da família, Vito Corleone, vivido pelo inesquecível Marlon Brando, conversa com o filho Michael, interpretado pelo igualmente magistral Al Pacino, nos jardins da mansão onde vive e administra as atividades criminosas da máfia. A certa altura, Vito dispara para o caçula: “Eu nunca quis isso para você”. A passagem parece encapsular a dimensão épica do filme. Está tudo ali: a sucessão familiar, a experiência da imigração italiana para os Estados Unidos, o exemplo de liderança, a representação multifacetada do império do crime, as frases e atuações memoráveis que continuam a reverberar cinquenta anos depois do lançamento da trilogia. O legado de O Poderoso Chefão é tão duradouro que continua a ecoar não apenas no campo cultural, mas em diferentes camadas da sociedade.

Seu impacto no cinema é incontornável. Além de ter consolidado a carreira de Coppola, de Al Pacino e Marlon Brando (que inicialmente foi vetado pelos executivos do estúdio após fracassos de bilheteria nos anos 1960), a produção estabeleceu o padrão pelo qual todos os outros filmes sobre máfia são comparados, de Os Intocáveis, de 1987, ao recente O Irlandês. É a inspiração para séries de TV, como Família Soprano. E vai além. A passagem de poder de uma geração para outra é o tema central de Succession, série da HBO que coleciona prêmios ao retratar as disputas familiares pelo comando de um conglomerado de imprensa — e seus métodos, diga-se, não estão distantes das maquinações dos mafiosos de Coppola e de Mario Puzo, autor do livro que inspirou o filme.

Making of movie The Godfather on Mott Street in Manhattan. Marlon Brando and Francis Ford Coppola talks about the scene where Marlon Brando plays Don Corleone in the movie and is gunned down outside Genco Olive Oil. (Photo By: Anthony Pescatore/NY Daily News via Getty Images)
BASTIDORES – Coppola (de boné e barba) no set: imitado e reverenciado – (Anthony Pescatore/NY Daily News/Getty Images)

A influência da obra que trata da rumorosa família de imigrantes italianos extrapola a sétima arte. Frases como “Vou fazer uma oferta irrecusável” estão entranhadas no imaginário coletivo e são imediatamente reconhecidas até por quem não é cinéfilo de carteirinha. Na cultura pop, o retrato de Vito Corleone de smoking e rosa vermelha no bolso está entre os mais cultuados de todos os tempos. A longa lista de fãs do filme vai do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que costuma citar frases de Vito Corleone em reuniões ministeriais, ao ex-presidente americano Barack Obama, que enxerga lições de comando no personagem. Pode ser incômodo pensar que líderes são influenciados por figuras impiedosas como Corleone, mas a política, ao seu modo, não é um pouco assim? “Meu pai não é diferente de outros homens poderosos, como um presidente ou senador”, diz Michael Corleone à namorada, Kay (Diane Keaton), em outra cena clássica do filme. “Sabe quão ingênuo você soa, Michael? Presidentes e senadores não mandam matar homens”, responde ela. “Quem está sendo ingênuo, Kay?”, replica Michael.

NEW YORK, NY - APRIL 29: Diane Keaton, Robert DeNiro, Robert Duvall, Francis Ford Coppola, James Caan, Al Pacino and Talia Shire pose for a portrait at
MEIO SÉCULO DEPOIS - O diretor (no centro) e o elenco original: lendas – (Kevin Mazur/Getty Images)

Para quem vive as agruras do mundo corporativo, a obra traz valiosas lições. Basta tirar a violência como pano de fundo para extrair ensinamentos que nenhum coach é capaz de oferecer. Em entrevista à revista Fast Company, o empresário americano Justin Moore enumerou diversas lições de liderança que podem ser tiradas do filme. A primeira delas: crie um networking poderoso. Vito Corleone estabeleceu uma rede de contatos influentes, ajudando as pessoas que vinham até ele e garantindo que elas lhe prestassem favores em troca. Nunca é demais lembrar: alianças fazem parte da dinâmica das empresas. “Você pode apresentar uma conta por seus serviços depois. Afinal, não somos comunistas”, vaticina Don Barzini, chefe de outra família mafiosa de Nova York, em reunião com Corleone. Os mafiosos podem ser violentos, mas não são burros.

A segunda lição diz respeito à relevância de ser duro, se necessário for. Quando os adversários perceberem sua fraqueza, ensinam os Corleone, tentarão eliminá-lo. Outro ponto fundamental para um líder de escol: não deixar que as emoções tomem conta de tudo. Na saga, Michael Corleone exibe invejável presença de espírito, coragem e frieza para lidar com situações difíceis, especialmente quando seu destino está em jogo. Um quarto aspecto apontado pelo empresário Justin Moore: seja decidido. Líderes vacilantes em geral perdem boas oportunidades e são fracos como gestores de negócios. Quando sabe o que precisa ser feito, Vito Corleone faz, doa a quem doer. Obviamente, não se deve sugerir que as empresas funcionem como a máfia, evidentemente não, mas é certo que os CEOs têm muito a aprender com o mais poderoso dos chefões.

Publicado em VEJA de 30 de março de 2022, edição nº 2782

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