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Ação e reação: qual o real efeito das canetas emagrecedoras nas coleções de moda?

De Lululemon a Track&Field, marcas já percebem consumidores migrando para numerações menores

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 ago 2026, 17h59 | Atualizado em 18 ago 2026, 11h22
Ação e reação: qual o real efeito das canetas emagrecedoras nas coleções de moda? Priorizar nos meus resultados Google

A moda sempre correu atrás do corpo. Agora, porém, esse movimento se intensificou graças à popularização dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que começam a produzir um efeito curioso no varejo em que consumidores que emagrecem estão trocando de numeração e renovando o guarda-roupa. Para as marcas, isso significa rever uma das contas mais básicas do negócio: quantas peças de cada tamanho colocar na arara.

Uma pesquisa da PwC nos Estados Unidos mostra a dimensão da mudança. Entre usuários de GLP-1, 73% afirmam ter passado por uma alteração significativa no tamanho das roupas e 26% dizem estar gastando mais com vestuário. Jeans femininos tiveram aumento de 66,1% nas compras, enquanto roupas de banho avançaram 31,1% e vestidos, 22,1%. A Circana encontrou resultado semelhante: 80% dos usuários pesquisados esperam precisar de roupas novas por causa da mudança corporal e 55% já compraram roupas ou calçados por esse motivo. A consultoria batizou o fenômeno de “Body Transformation Economy”.

E o impacto, claro, chegou ao planejamento das coleções. Uma pesquisa da Coresight Research aponta que cerca de 70% dos usuários de GLP-1 nos Estados Unidos diminuíram pelo menos um tamanho de roupa desde o início do tratamento; e mais de quatro em cada dez reduziram dois tamanhos ou mais.

Mudanças de grade

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A Lululemon foi uma das marcas a perceber o movimento. Em 2024, seu CEO, Calvin McDonald, reconheceu que a empresa havia perdido oportunidades no segmento feminino por falta de estoque em algumas numerações menores. A companhia passou a reforçar a disponibilidade desses tamanhos.

Na Rent the Runway, o fenômeno é ainda mais sensível. Como o negócio depende de acertar medidas e caimento para o aluguel de roupas, a migração das clientes para tamanhos menores exige uma revisão constante do estoque. O mercado de casamento também entrou nessa conta. A David’s Bridal criou em 2026 uma política de garantia de ajuste diante da preocupação de noivas que podem mudar de tamanho entre a compra do vestido e o casamento. Uma pesquisa da Zola com 11. 500 casais que se casam este ano mostrou que 10% utilizavam medicamentos GLP-1 e outros 10% consideravam usá-los.

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No Brasil, os primeiros sinais também já apareceram. A Riachuelo relatou aumento da procura por PP e P e redução relativa de G e GG em algumas grades. Segundo dados da NielsenIQ citados pela companhia, 4,6% dos lares brasileiros já utilizavam medicamentos injetáveis à base de GLP-1.

A Track&Field também percebeu maior participação de tamanhos menores nas vendas, tanto no feminino quanto no masculino. O caso é especialmente interessante porque a marca tem forte presença entre consumidores de maior poder aquisitivo, público com maior acesso a esses tratamentos.

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Isso não significa que a caneta seja responsável por toda mudança de tamanho — moda, modelagem e comportamento também pesam. Mas o sinal já é suficientemente forte para entrar no radar do varejo.

O novo problema: prever o corpo

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A indústria da moda trabalha com meses de antecedência. Quando uma coleção chega às lojas, o planejamento de tamanhos já foi definido há muito tempo. Agora, parte dos consumidores pode estar usando M hoje e P alguns meses depois.

Uma análise da Impact Analytics estima que o descompasso entre estoque e demanda por tamanhos pode colocar até US$ 5 bilhões em margens em risco no varejo americano até 2027. Ou seja, a resposta pode não ser simplesmente produzir mais peças pequenas, e sim modelagens ajustáveis, tecidos elásticos, peças que acompanhem diferentes medidas e políticas de troca mais flexíveis.

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Como diria Yves Saint Laurent, “a moda é o reflexo de uma época”. E o agora traz essa nova exigência para o setor: não basta mais vestir o corpo que existe, e sim conseguir vestir o corpo que está mudando. Um desafio considerável.

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