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Thomas Traumann

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Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)
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Em busca de um novo Alencar

O perfil do vice de Lula em 2022 será o de um empresário, diz Jaques Wagner

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 26 Maio 2021, 18h22 - Publicado em 24 Maio 2021, 14h50

Em dezembro de 2000, um Luiz Inácio Lula da Silva cansado de perder eleição assentiu à insistência do então presidente do PT, José Dirceu, e foi à festa de 50 anos de trajetória empresarial do senador mineiro José Alencar. Os dois não se conheciam. O convescote para 4 mil pessoas no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, foi uma ode à trajetória de Alencar, do adolescente que aos 14 anos começou a trabalhar como balconista até a criação da Coteminas, à época maior grupo nacional do setor têxtil. Teve vídeo, orquestra sinfônica, mas o que impressionou Lula foi o discurso do próprio senador empresário, contando das noites dormidas no chão da loja de tecidos Sedutora, na cidade mineira de Muriaé, e em sua crença no trabalho duro como lição de caráter.

Ex-presidente da Federação das Indústrias, conservador, senador pelo crítico estado de Minas Gerais, Alencar parecia uma versão milionária do próprio Lula. Segundo o relato da jornalista Eliane Cantanhêde em seu livro José Alencar, Amor à Vida, ao entrar no carro na saída da festa, Lula entusiasmado disse a Dirceu: “Achei meu vice”. O empresário era o fiador perfeito para que a sociedade acreditasse que, uma vez no poder, o PT não tocaria fogo no país.

Alencar foi o vice dos sonhos de Lula, tomando por vezes a função de porta-voz do presidente nas críticas à política monetária no primeiro governo. Ao contrário de 90% das chapas presidenciais, Lula e Alencar sinceramente se gostavam e se admiravam. Alencar morreu em 2011, aos 79 anos. Hoje, 21 anos depois do encontro em Belo Horizonte, Lula procura um novo Alencar.

Assim como na eleição de 2002, Lula precisa de um fiador. O governo Dilma Rousseff rompeu as ligações do PT com o mercado financeiro a tal ponto que, em 2018, dois dos cinco grandes bancos se recusaram a receber representantes do partido para discutir propostas econômicas. Nove de cada dez empresários defenderam o impeachment e um número similar votou em Jair Bolsonaro.

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“O Lula inevitavelmente vai buscar uma pessoa que seja complementar: como ele representa o social, vai buscar alguém que represente o empresarial. Pra mim sempre será poderoso o binômio operário-empresário que houve em 2002”, disse o senador Jaques Wagner à repórter Andrea Jubé, no Valor. Não será simples.

Os dois empresários mais vistosos no radar dos políticos já anunciaram que não pretendem participar de qualquer chapa: Luiza Trajano, fundadora da rede Magalu, e o filho de Alencar, Josué Alencar. Mas o figurino não precisa ser necessariamente igual de José Alencar. A questão é a mensagem, a de Lula, ao contrário de Bolsonaro, não fará um governo de conflitos eternos. “Lula já é de centro, ele é de centro-esquerda. É uma injustiça querer contrapor um cara como o Lula ao atual presidente, um contrassenso. Lula foi um conciliador”, disse Wagner ao Valor. A busca por novo Alencar só começou.

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