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Ricardo Rangel

Corruptos e tabajaras

O grau de amadorismo e de imperfeição do esquema de corrupção na Covaxin demonstra que a certeza da impunidade é absoluta

Por Ricardo Rangel 25 ago 2021, 19h03

A empresa que deu garantia para a compra das vacinas Covaxin (nunca entregues) se chama FIB Bank… mas não é banco. O nome é para enganar trouxa.

O contrato de compra das vacinas é de 25 de fevereiro, mas a carta de garantia é posterior, de 17 de março (exatamente a data em que o funcionário Luís Ricardo Miranda começou a bater bumbo contra irregularidades).

A garantia foi de 1,6 bilhão, mas o faturamento do FIB Bank é de menos de 1 milhão.

O capital social do FIB Bank é de 7,5 bi, mas 90% disso são em terrenos que não existem nem nunca pagaram IPTU.

O FIB Bank pertence a duas empresas, uma das quais é de dois laranjas pobres que já morreram, um dos quais tem uma filha e herdeira que nunca ouviu falar na empresa.

O FIB Bank deu calote em pelo menos 25% das garantias que concedeu e foram executadas.

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O presidente do FIB Bank diz não conhecer o dono da Precisa, a quem deu uma garantia equivalente a mais de 25% do capital de sua empresa e 1.500 vezes seu faturamento. Diz que quem concedeu a garantia foi o diretor comercial.

O presidente do FIB Bank mora em um apartamento de “400, 500 mil reais”, mas só sabe explicar uma remuneração de 4 mil por mês.

O presidente do FIB Bank é sócio majoritário de uma barbearia e está sendo processado pelos sócios minoritários por ter retirado dinheiro da empresa de maneira irregular.

O FIB Bank forneceu anteriormente à Precisa garantia para a venda de preservativos femininos ao Ministério da Saúde. Ontem, véspera do depoimento do presidente do FIB Bank, o ministério se deu conta de que a garantia era fajuta, e pediu à Precisa a substituição.

“Fib” significa lorota em inglês.

Só a absoluta certeza da impunidade explica um esquema tão assombrosamente grosseiro e amador.

Em tempo: O FIB Bank já forneceu garantias a várias entidades governamentais municipais, estaduais e federais e até à AGU e ao Ministério da Fazenda. O sócio (oculto) e controlador da empresa, assim como o dono da Precisa, é amigo do deputado Ricardo Barros. É claro.

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