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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Um vermelho e azul com Tereza Cruvinel

Há uma reportagem na Reuters, com Tereza Cruvinel, a presidente da Lula News. Abaixo, segue o texto em vermelho, com comentários meus, em azul. A presidente da TV pública recém-criada pelo governo Lula tem enfrentado com muita saliva as críticas que a nova emissora vem despertando. Tereza Cruvinel, jornalista profissional há mais de 20 anos, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 20h13 - Publicado em 9 nov 2007, 22h20
Há uma reportagem na Reuters, com Tereza Cruvinel, a presidente da Lula News. Abaixo, segue o texto em vermelho, com comentários meus, em azul.

A presidente da TV pública recém-criada pelo governo Lula tem enfrentado com muita saliva as críticas que a nova emissora vem despertando. Tereza Cruvinel, jornalista profissional há mais de 20 anos, esclarece junto a opositores e infinitas entrevistas como a TV se prepara para rechaçar pressões políticas. Ela não deixa de usar palavras duras para rebater os oponentes, basicamente políticos dos partidos de oposição ao governo que vêem na TV Brasil, como será chamada, um instrumento de promoção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de suas realizações. “Oferecer à população um instrumento de comunicação que veja o telespectador como cidadão, invista na diversidade e tenha boa informação — qual o delito político disso? Acho que é um dever do Estado. O Estado europeu oferece, sem manipulá-la”, disse Cruvinel, que até há pouco mais de um mês era responsável por uma coluna diária no jornal O Globo sobre bastidores políticos de Brasília.A presidente da Lula News se equivoca de várias maneiras combinadas:– por acaso, as emissoras privadas não tratam o telespectador como cidadão, não investem na diversidade e não tem boa informação?;– o que é “estado europeu”? Desconheço.– segundo qual concepção, cabe ao estado o “dever” de produzir jornalismo, teledramaturgia, documentários” etc? Isso está mais para, deixe-me ver, Alemanha Oriental. Não deixava de ser um “estado europeu”.– há certos truques retóricos que são irritantes, dada a facilidade com que podem ser desmontados. Goebbels poderia ter perguntado: “Que mal há em termos uma cultura que incentiva os valores essenciais do povo alemão?”Qual é? Cansei dessa ideologia chimpanzé que vai tomando conta do país e do debate público. Assumam logo o caráter de propaganda da nova emissora e pronto! Propaganda que até poderá ser feita com mais ou com menos competência.No seu entender, as críticas que recebe são decorrentes de falta de informação e de contexto. “Não é polêmica a TV. Há desinformação, incompreensão do que seja uma TV pública”, afirmou à Reuters. Ela acredita que esta tendência decorre da dificuldade no Brasil de enfrentar essa discussão, “talvez pelo êxito da TV comercial”. O Brasil, diz, recebeu a notícia da TV pública com a surpresa de quem recebe algo novo. “Não é invenção de pólvora, como mostra a experiência internacional… Não é uma discussão nova, é um debate que sempre foi interditado e que está sendo enfrentado agora.”O que significa “êxito da TV comercial?”Acho que a presidente da Lula News quer dizer que a “TV comercial” foi bem-sucedida justamente nas tarefas de informar, de tratar o telespectador como cidadão e de investir na diversidade. Em suma: o país vai gastar R$ 350 milhões por ano para fazer, com menos qualidade, o que já é feito. Isso na hipótese virtuosa. Na viciosa, será uma tentativa bisonha de pautar a imprensa com a voz do oficialismo.Sobre as motivações que levaram o presidente Lula a se decidir pela criação da emissora, ela diz que passam longe da questão política. Explicou que Lula respondeu a um anseio de organizações e entidades envolvidas no assunto reunidas num grande fórum organizado pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. O fórum produziu, em maio, uma carta enviada a Lula que, por sua vez, encarregou o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a tocar o projeto da implantação de uma rede de TV pública. Vinculada à Secretaria, a TV Pública foi criada em outubro por medida provisória e oficializada por decreto presidencial. É resultado da fusão da Radiobrás com as TVEs do Rio e do Maranhão, e nasce com 2.400 funcionários.As tais “entidades”, como sabemos todos, não passam de tentáculo de um partido político: o PT. A fala de Curvinel vale por uma confissão: R$ 350 milhões anuais serão consumidor para atender às demandas de “entidades”…

Personalidades-fiscais
A fiscalização da independência política caberá a um Conselho Curador de 20 pessoas, sendo quatro representantes de ministérios, um dos empregados e 15 “notáveis” da sociedade civil indicados pelo presidente da República. “Tentações (sobre a influência política) sempre poderão ocorrer. Agora, o que deve servir de antídoto não é a qualidade virtuosa da diretoria nem a virtude de qualquer governo, deste ou de outro. O que deve funcionar é o modelo. A primeira interferência deve ser levada ao conselho curador”, disse Cruvinel, que também fazia comentários políticos na TV Globonews. Já foram convidados para o Conselho o ex-governador de São Paulo Claudio Lembo (DEM), o ex-deputado Delfim Netto, Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-Globo, a empresária Angela Gutierrez e o rapper MV Bill. Foi a tentativa de garantir maior pluralidade que levou à escolha de personalidades e não de organizações (como Fiesp, CUT).

Os nomes desse conselho que estão sendo usados como peças de resistência falam por si mesmos. Representam quem mesmo? Espero que Boni, ao menos, diga o que é televisão. E, com Cláudio Lembro lá, a elite branca que se cuide…

O Conselho vai aprovar, mesmo com restrições, um plano da diretoria, e depois fiscalizará sua execução. Terá poderes de demitir diretores e até o presidente da TV. A estréia está marcada para 2 de dezembro, quando as TVs dos Estados que aderirem à proposta vão dividir suas grades de programação com a da nova rede. A data marca a chegada da TV com tecnologia digital, de melhor resolução. Cruvinel explica que esta será uma espécie de “pré-estréia”, e prevê que a adesão do maior número de emissoras públicas (de governos estaduais, comunitárias, universitárias) e a construção de uma programação para a TV Brasil levarão alguns meses, com previsão para março. A conquista da audiência, segundo a principal executiva da nova estatal, vai ser feita em boa parte fora do tripé que garante a audiência da TV comercial — novela, futebol e jornal. O telejornalismo será forte, os documentários devem ocupar amplo espaço, com absorção de parte da produção independente, e está previsto um núcleo de dramaturgia, para minisséries. No esporte, em lugar do futebol, o foco serão as modalidades olímpicas. O telespectador também vai poder opinar sobre a nova programação via internet, ouvidorias e, talvez, uma pesquisa. Tudo será feito com o orçamento já estabelecido de 350 milhões de reais para 2008, o equivalente ao da TV Bandeirantes, segundo um especialista.
De tudo, fiquei curioso para saber como serão as minisséries, seus temas, suas escolhas, seu refinamento artístico, dado que a preocupação, como sabemos, é tratar o brasileiro como cidadão, investindo na diversidade…

Ai, ai. Essa brincadeira cara tem um de dois maus destinos: ou dá certo, e se estará diante de um esforço bem-sucedido de substituir a sociedade pelo estado. E isso significa dar errado. Ou dá errado em sentido estrito, o que é bom. E isso continua mau.

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