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Reinaldo Azevedo

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Imprensa 1 – Ombudsman da Folha: coisa corriqueira

Pedem-me que comente a não-renovação do “mandato” de Mário Magalhães, que era ombudsman da Folha. Comentar o quê? Ele é funcionário do jornal. Dadas as funções próprias de um jornalista, e asseguradas as condições que garantem a dignidade profissional, o jornal paga, e ele executa. É um contrato. Quando um dos lados não está contente, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h40 - Publicado em 7 abr 2008, 06h11
Pedem-me que comente a não-renovação do “mandato” de Mário Magalhães, que era ombudsman da Folha. Comentar o quê? Ele é funcionário do jornal. Dadas as funções próprias de um jornalista, e asseguradas as condições que garantem a dignidade profissional, o jornal paga, e ele executa. É um contrato. Quando um dos lados não está contente, revê-se o que foi pactuado. Acontece isso milhões de vezes mundo afora: pessoas se demitem, outras são demitidas, e algumas mudam de função.

Escrevi “mandato” entre aspas. A direção da Folha “elege”; a direção renova se quiser. O que tenho eu a ver com a forma como as empresas cuidam de sua organização interna? Nada! Não havendo heroísmo nenhum em ser ombudsman, tampouco há em deixar de sê-lo. O caso só desperta algum interesse porque os fãs das críticas de Magalhães, entre os quais, como sabem, não me incluo (e, creio, a esmagadora maioria dos leitores deste blog), tentam transformá-lo em herói da resistência. É mais um ridicularia dos patetas..

Essa história de ser “procurador dos interesses do leitor”, quero crer, mudou um tanto com a popularização da Internet e seu uso como instrumento de pressão política. Se, há 20 anos, cartas e telefonemas podiam reproduzir a aflição dos leitores, a coisa é diferente na era do e-mail. As manifestações, quase sempre, não se distinguem de correntes organizadas com o fito de transformar uma visão particular de mundo, sempre minoritária, num clamor público.

Faço essa observação porque muitos dos que passaram por aquele cargo demonstraram certa obsessão por números: “X” manifestações; Y% acham tal coisa; Z% pensam o contrário. De fato e como sempre, a maioria silenciosa nada diz. Tomar, hoje em dia, dadas as facilidades existentes, as reclamações como amostra, tendência ou média do que pensa o leitorado é besteira. É só Valter Pomar, no PT, acionar as suas células, e lá está o ombudsman da Folha com uma penca de reclamações.

Pegue-se o caso da excelente cobertura que a Folha tem feito do episódio do dossiê. Aposto não um, mas os dois mindinhos que o então ombudsman recebeu mais críticas de leitores do que elogios. E a razão é simples: a Al Qaeda eletrônica, por meio de seus aiatolás e mascates, havia dado um “salve” para malhar o jornal. Mesmo sem querer, é claro, Magalhães os ajudou com um texto confuso deixado na Internet (em que, entendo, fazia críticas descabidas a um trabalho correto. Mas não estou lá. Vai ver essa cultura da reclamação, mesmo estimulada, tem a sua utilidade. O que sei com certeza é que os silenciosos formam a grande maioria.

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Segundo Magalhães, a condição da renovação do “mandato” era que suas críticas diárias deixassem de ser publicadas na Internet. Ele não aceitou. E não é mais ombudsman. Se os dois lados dizem a mesma coisa, vai ver é mesmo verdade.

Não conheço nada mais ridículo, bisonho até, do que sapo de fora a dizer como os patrões da mídia devem tocar o seu negócio. Eu não digo. No máximo, escrevo se gostei ou não gostei de uma reportagem, de uma análise ou de um editorial e exponho os meus motivos. Mas não me atrevo a dar “conselhos” aos donos da VEJA, da Folha, da Globo ou do Estadão. Não pago esse mico. Aposto na sua capacidade de manter viáveis as empresas — de preferência, gerando mais empregos. Um funcionário mudar de função é coisa corriqueira.

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