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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Ihhh, as “chalitetes” resolveram invadir o meu blog!

Publiquei aqui um post crítico ao pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, que afirmou em palestra a brasileiros e latinos nos EUA que as favelas do Rio podem se comparar às encostas das ilhas turísticas da Grécia… Trata-se de uma daquelas bobagens enfatuadas deste rapaz, capaz de dizer as maiores asnices […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 09h21 - Publicado em 12 mar 2012, 08h03

Publiquei aqui um post crítico ao pré-candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, que afirmou em palestra a brasileiros e latinos nos EUA que as favelas do Rio podem se comparar às encostas das ilhas turísticas da Grécia… Trata-se de uma daquelas bobagens enfatuadas deste rapaz, capaz de dizer as maiores asnices naquele tom que pretende conciliar seriedade e “amor ao próximo”. No jogo político, no entanto, ele não é assim tão gugu-dadá, não! Basta ver como foi pulando de galho em galho, até chegar ao PMDB de Sarney e Renan Calheiros… Mas escrevo este post para tratar de outro aspecto.

Um monte de “chalitetes” — os apelidos, ao menos eram femininos — entraram no blog para me acusar de ter “inveja” do Chalita. Pô, aí é sacanagem comigo!

Nos dons do pensamento, como diria Bocage, se eu tivesse de invejar alguém, convenham, não seria Chalita. “Ah, queria ser o Machado de Assis, o Edmund Burke; o outro Edmund — o Wilson —, o Fernando Pessoa, o Auden… Invejar Gabriel Chalita???

Se fosse na belezura — eu ainda acho que ele tenta parecer mais bonito do que inteligente… —, aí teria de ser um padrão, assim, que deixasse as moças mais, como posso dizer?, eriçadas. Não, queridas (uma delas entrou cinco vezes com apelidos diferentes; já disse que tenho como detectar)! Não tenho inveja de Chalita. É que o senso de humor involuntário dele não me agrada…

Um tal Luciano Pires escreve:
“Engraçado… Há uns anos atrás, o Chalita era o deus da educação aqui em SP. Agora porque saiu do ninho tucano virou motivo de chacota (…)”
Com o seu “há uns anos atrás”, o Luciano também está pronto para escrever 9785 livros, correndo o risco de esbarrar no trocadilho… Mas sigamos. Não aqui, Zé Mané! Ache um elogio que eu tenha feito a Chalita no PSDB, no PSB ou no PMDB, e eu paro de escrever. Já disse que as pessoas me importam menos do que as idéias. E eu não reconheço em Chalita uma única que, de fato, lhe pertença. A verdade é bem outra: ele era objeto, sim, da chacota de boa parte da imprensa quando estava no PSDB. Depois que migrou para o lulo-dilmismo, virou “fonte confiável” dos jornalistas que mangavam dele antes por causa da impressionante coleção de batatadas que reúne naquelas coisas que chama “livros”.

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Eu ainda não me recuperei de uma entrevista que ele concedeu à Folha de S.Paulo, em que revelou seu método criativo. Duas passagens merecem destaque: ele conta como escreve tanto e por que é tão… criativo!

Folha – Só no ano de 2010 foram oito livros. Como consegue ser tão prolixo? Trabalha com “ghost writer”?
Chalita –
É que deve ter muito livro infantil aí. O livro que fiz com o Mauricio de Sousa, por exemplo, escrevi no avião em uma viagem de São Paulo a Natal. O “Pedagogia do Amor”, escrevi em 15 dias. “A Ética do Menino” foi no Réveillon. Estava na casa de Ângela Gutierrez em Salvador. A Milu Vilella sentou ao meu lado e disse: “Deixe-me ver como você escreve”.

 

Reproduzo comentário que já fiz a respeito:
É um potentado! Se Chalita fosse um ginasta, Milu pediria: “Chalita, dê uma pirueta!” E ele daria pirueta. “Agora uma estrela!” Pimba! Lá estaria o Chalitinha encantando as senhoras com sua agilidade. Como é escritor, alguém se acerca e pede: “Deixe-me ver como você escreve”. E lá vai ele, segundo entendi, com uma variante da escrita automática, lançando no papel tudo o que lhe vem à mente, segundo o método da livre associação. É verdadeiramente mágico!

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Mas não é essa passagem que me tira o sono. O Chalita verdadeiramente revolucionário está aqui:
Folha – Como funciona seu processo de criação?

Chalita –
Faço associações. Por exemplo, os rituais macabros com albinos na Tanzânia que menciono em um livro. Fiquei sabendo disso no Congresso. E eu adoro o “Navio Negreiro”, daí eu pego a coisa da Tanzânia, e penso no pássaro que o Castro Alves imaginava sobre aquela nau, vendo aquele sofrimento. Então, eu vou buscar o Castro Alves e coloco lá.

Esse “eu vou buscar Castro Alves e coloco lá” é a prova de seu rigor intelectual. Sentir o quê? Inveja??? Não é por acaso que ele anda a confundir José Sarney com Platão e Michel Temer com Aristóteles…

O que Chalita não tem mesmo, convenham, é senso de ridículo. As chalitetes que segurem a franga aí. Vão saber onde os albinos sacrificados da Tanzânia se encontram com a poesia de Castro Alves (Santo Deus!) e não percam tempo me enviando insultos.

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