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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Hamas e Fatah juntos? Isso é bom? Depende…

As facções palestinas Fatah e Hamas, que controlam, respectivamente, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, anunciaram um acordo nesta quarta-feira, depois de uma rodada de negociações secretas mediadas pelo novo governo do Egito. Os dois grupos teriam acertado a reestruturação da Autoridade Nacional Palestina, o calendário eleitoral, as regras da disputa etc. Tá tudo […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h10 - Publicado em 27 abr 2011, 20h51

As facções palestinas Fatah e Hamas, que controlam, respectivamente, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, anunciaram um acordo nesta quarta-feira, depois de uma rodada de negociações secretas mediadas pelo novo governo do Egito. Os dois grupos teriam acertado a reestruturação da Autoridade Nacional Palestina, o calendário eleitoral, as regras da disputa etc. Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Vamos considerar: enquanto os dois grupos  estiverem se matando, não há estado palestino possível. Poderia ser uma boa notícia. Mas será?

Em um discurso transmitido nesta quarta pela TV, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, advertiu o presidente da Autoridade Palestina e chefe da Fatah, Mahmoud Abbas: ele deve escolher entre a paz com Israel e a paz com o Hamas. Deixou claro que as negociações israelo-palestinas podem chegar ao fim. Aí alguém dirá: “Esses israelenses… Sempre atrapalhando!”

É mesmo? O Hamas é um grupo terrorista. O que isso quer dizer? Ele se organiza para matar civis em nome de sua “causa política”. De Gaza, dispara mísseis às pencas contra Israel. Um dos itens de seu estatuto é a destruição do país. Então surge a questão: o Hamas renuncia a seus princípios e à sua prática? Não se disse nada a respeito. Qual é a conseqüência do acordo? O moderado se torna mais radical, ou o radical, mais moderado? Num caso, aumentam as chances de paz; no outro, diminuem.  A boa notícia seria outra: “Hamas renuncia ao terrorismo e reconhece o estado de Israel”. Sem isso, nada feito.


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