De indelicadezas e indelicados
Leia primeiro o post abaixo A escolha de Alexandre Tombini, atual diretor de Normas, para a presidência do Banco Central é um fator que tranqüiliza os tais “mercados”. Ele é tido, e é, como um homem afinando com Henrique Meirelles. Não há, em tese ao menos, motivo para supor que, uma vez no cargo, ele […]
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A escolha de Alexandre Tombini, atual diretor de Normas, para a presidência do Banco Central é um fator que tranqüiliza os tais “mercados”. Ele é tido, e é, como um homem afinando com Henrique Meirelles. Não há, em tese ao menos, motivo para supor que, uma vez no cargo, ele fará algo que o antecessor não faria. O atual presidente deve estar satisfeito com a escolha em si; afinal, não se indicou um “anti-Meirelles”. O sinal é de continuidade da política monetária, consideradas as biografias e os alinhamentos intelectuais.
Mas parece evidente que Dilma quis um presidente do BC mais fraco. Esse foi o recado. A desvitaminização do cargo, atenção!, está menos na escolha de Tombini do que na forma como Meirelles está sendo tratado, ainda que ele faça, e está certo, um grande esforço para não acusar o golpe. Quando menos, ele seria merecedor do “Prêmio Fidelidade”. Ou melhor ainda: na reta final de 2002, quando a política monetária era o grande fator de incerteza do futuro governo Lula, ele foi o emblema de uma garantia. Goste-se ou não dos seus serviços, o fato é que a sua própria indicação foi um fator de estabilidade.
A forma como está sendo tratado, com a nomeação do substituto antes mesma da “conversa”, não é digna. Estamos diante de um comportamento típico do petismo. Usa-se quem tem de ser usado até o osso. Se preciso, joga-se fora — especialmente se a pessoa emite algum sinal de altivez. A senha para fulminar Meirelles no Banco Central foi a suposta plantação, que teria partido dele próprio, de que só ficaria no cargo se mantivesse a autonomia que tem; sem ela, estaria fora. Dilma não teria gostado. E então começou a operação “Sai, Meirelles”. A indicação de um novo presidente do BC, o que é normal num novo governo, assume, assim, ares de demissão.
Não é justo nem elegante. Fica até parecendo que, nesses oito anos, ele foi um intruso, que se imiscuiu nos assuntos do PT. E, todos sabem, não foi isso o que aconteceu. Reitero: não se trata, aqui, de aprovar ou reprovar o seu trabalho; de avaliar se foi bem ou se foi mal. Fato inquestionável é que ele foi de grande valia para o governo do presidente Lula. E não está recebendo um tratamento à altura dessa importância. Alguma compensação virá depois dessa rodada de “fique no seu devido lugar”? Vamos ver.
Miram Belchior
Miriam Belchior no Ministério do Planejamento significa mais uma lulista em posto de comando. É amiga pessoal de Gilberto Carvalho, espécie de “memória” viva do petismo. Os dois serviram à Prefeitura de Celso Daniel, com quem ela foi casada. É o prefeito assassinado à esteira, segundo o Ministério Público, de uma máquina ilegal implantada na administração de Santo André para carrear recursos para o PT.
É provável que Dilma transfira, então, o gerenciamento do PAC — seja lá o que isso queira dizer — para a pasta. Miriam se enquadra naquele perfil das “mulheres fortes”, de que a própria Dilma fazia parte. Pré-marquetagem, como vocês se lembram, a agora presidente eleita achava com mais facilidade o caminho da rispidez do que o da candura. A ministra indicada pertence ao time da turma anti-sorriso, o que sempre confere ao mal-humorado uma certa aura de competência superior. A doxa é a seguinte: se o sujeito (ou “sujeita”…) é bravo assim, então é porque deve saber bastante”. Huuummm… Às vezes, é só insegurança. A rabugice costuma ser uma boa peça de marketing. Há muita gente competente na arte de criar a fama de que é competente. Vamos ver.





