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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Cala a boca, Magda!

Havia um programa de TV, Sai de Baixo, que popularizou um bordão: “Cala a boca, Magda!”. A atriz Marisa Orth disse outro dia que a frase a persegue ainda hoje. Magda, vocês sabem, não conseguia entender muito bem o que estava à sua volta e disparava o que lhe desse na telha. Então… O ministro […]

Por Reinaldo Azevedo 17 ago 2007, 17h26 • Atualizado em 31 jul 2020, 22h14
  • Havia um programa de TV, Sai de Baixo, que popularizou um bordão: “Cala a boca, Magda!”. A atriz Marisa Orth disse outro dia que a frase a persegue ainda hoje. Magda, vocês sabem, não conseguia entender muito bem o que estava à sua volta e disparava o que lhe desse na telha. Então…

    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje não ver razão para o Copom não baixar a taxa de juros, uma vez que inexistem sinais de que a inflação preocupe. Ainda que o dólar tenha valorizado 7%, o que pode pressionar os preços. É mesmo, né? Num momento em que o dinheiro migra em busca da segurança máxima — os títulos do Tesouro dos EUA —, por que não tornar menos atraente as aplicações no Brasil? Não descarto que o Banco Central brasileiro seja criativo desta vez, fazendo as vontades de Mantega. Espero que não…

    Proselitismo vulgar
    Mantega aproveitou para fazer graça. Afirmou que, em outros tempos, diante de igual crise, o BC já teria elevado as taxas de juros para “segurar a manada” e tornar atrativa a aplicação no País. E assegurou que isso não adiantaria porque os recursos fugiriam ainda assim. E foi adiante: “O ministro da Fazenda ligaria para o FMI e diria: ‘precisamos de sua compreensão e condescendência, vamos fazer lição de casa, mas precisamos de um empréstimo’”. Orgulhoso, emendou: “Sequer liguei para o FMI. E isso mostra a diferença fundamental em relação a outros momentos de turbulência”.

    Trata-se de pura depredação da história. Mantega está tentando comparar esta crise, que nasce do estouro da bolha imobiliária americana, com outras que colheram, em outros tempos, países emergentes como o Brasil. Quem foi que disse que elevar taxa de juros é ação inócua a depender do tipo de movimento especulativo? Não é, não. Agora e por enquanto, seria mesmo inócuo.

    Sim, o governo brasileiro já precisou de aporte do FMI. Foi o caso de 2002. Lula destacou José Dirceu para negociar o socorro com o governo tucano, que chegava, então, ao fim. Um dos motivos do estresse — vejam que coisa! — era justamente a chegada do PT ao poder. O ministro poderia muito bem fazer o que estão fazendo algumas autoridades econômicas mundo afora: fechar a boca.

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    Ah, não custa lembrar. O FMI ajudou, então, menos o governo do PSDB, que estava no fim, do que o governo Lula, que viria. E sabem quem garantiu que o PT não daria o calote? FHC! Sem o seu aval, Lula começaria o mandato na lona. É o que os petistas fariam com os tucanos. Não foi o que os tucanos fizeram com os petistas. O reconhecimento, como se vê, quando não tarda, falha.

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