O papel de Tarcísio para virar a chave da Câmara sobre o PL da Anistia
Nome favorito do Centrão para a corrida presidencial de 2026, governador paulista entrou em campo para ter a ‘benção’ de Bolsonaro
Dias antes do início do julgamento de Jair Bolsonaro no STF, Tarcísio de Freitas acionou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e pediu a versão do texto do PL da Anistia que estava sendo trabalhada pelo partido.
O objetivo era estudar a proposta e encabeçar a ofensiva sobre legendas do Centrão para ampliar as chances de aprovação da proposição.
Foi assim que Tarcísio, que é considerado o nome favorito do Centrão para a corrida presidencial de 2026, entrou em campo para persuadir as siglas sobre a importância de os congressistas se debruçarem sobre o texto assim que o julgamento de Bolsonaro no STF for concluído.
Essa seria a moeda de troca para garantir a “benção” de Bolsonaro e de seu entorno e, assim, abrir caminho para sua postulação nacional.
Ao Radar, Sóstenes compartilhou a avaliação de que Arthur Lira, que conversou sobre a medida com Bolsonaro na segunda-feira, até ajudou nas articulações. O líder do PL, porém, diz que as negociações exitosas são mérito de Tarcísio.
Articulou o convencimento do Republicanos, recebendo Marcos Pereira no Palácio dos Bandeirantes e telefonando para o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O governador paulista ainda correu outras bancadas para garantir apoio ao texto.
A iniciativa rendeu frutos, tanto que, além do Republicanos, PP, União e PSD acenaram positivamente para o PL da Anistia.
Por isso, Motta diagnosticou que a chave da Casa tinha virado e que havia um sentimento majoritário a favor da apreciação do tema. Uma reunião está prevista para esta quinta-feira para tratar exclusivamente do assunto.
Nesse encontro, devem debater o formato da proposta. Aliados de Bolsonaro querem um texto amplo, que deixe evidente o benefício ao ex-presidente, enquanto nomes que até simpatizam com a proposição, mas são mais ponderados, avaliam que o melhor seria optar por um relatório mais brando.
Nos bastidores, há a expectativa de que Tarcísio também tente articular junto aos ministros do STF, buscando construir uma vacina para uma eventual judicialização.
Além disso, essa ofensiva seria para atender a Motta e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que resistiriam a pautar um parecer que não fosse alinhado com os magistrados.
Os chefes do Legislativo não estão dispostos a abrir um novo capítulo na crise institucional com o Judiciário.





