A estratégia do governo para encurralar Motta e dominar pauta da Câmara
Com aval do Executivo, lideranças do governo devem articular para inviabilizar o avanço da medida que busca a redução de penas
Antes mesmo da sinalização de Hugo Motta de que a reforma do imposto de renda avançará na próxima semana, aliados do governo operaram para evitar a retirada da urgência constitucional do PL do licenciamento ambiental, que está trancando a pauta a partir desta terça-feira.
Segundo apurou o Radar, um dos objetivos é ampliar o espaço temporal de fragilização da cúpula da Casa e de lideranças que apoiaram medidas que levaram multidões às ruas no último domingo.
Com isso, a pauta fica restrita a medidas provisórias e projetos de decreto legislativo, impossibilitando eventuais surpresas promovidas pelo comando do Legislativo de tentar testar a adesão ao PL da Dosimetria, substituto do PL da Anistia, que teve sua urgência aprovada na semana passada.
O plenário da Casa, portanto, deve se debruçar sobre temas menos polêmicos nesta semana, como a MP que cria o Agora Tem Especialistas, programa do governo para acelerar o atendimento de pacientes do SUS com médicos especialistas.
Aliados do Palácio do Planalto esperam que esses desgate contribua para um empoderamento do governo em relação à pauta do Legislativo nas próximas semanas.
A retirada da urgência ocorreria na próxima semana para destrancar a pauta e viabilizar o avanço do parecer de Arthur Lira sobre a reforma do IR.
Paralelamente, a base governista, com o aval do Executivo, quer aproveitar a mobilização nas ruas para diminuir o apoio ao projeto que visa reduzir penas de quem participou de manifestações golpistas de 8 de janeiro de 2023.
As ruas tomadas por manifestações no fim de semana contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia empolgaram o Palácio do Planalto e determinaram uma mudança de comportamento do governo Lula em relação ao PL da Dosimetria.
Até semana passada, membros do governo evitavam entrar em polêmica, demonstravam rejeição à urgência do PL da Anistia, mas argumentavam que esse era um assunto do Legislativo.
Com o sucesso dos protestos, a ministra Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do governo no Congresso, foi às redes e deixou claro que o Planalto não quer o avanço do tema.
“Vamos trabalhar pela rejeição da anistia, da impunidade e contra a redução de penas para os golpistas”, escreveu Gleisi no X.
Após se reunir com Motta e Lira nesta terça-feira, ela voltou a afirmar que Lula é contra a iniciativa.





