Conversas realizadas no Claude vazam e aparecem no Google
Problema teve relação com botão de compartilhar, o que colocou as páginas no alcance dos buscadores. Veja como evitar que algo seu apareça por aí
Imagina alguém buscar no Google e encontrar conversas que você teve com uma IA. Pois é, aconteceu neste fim de semana, com usuários do Claude. E, olha, não foi a primeira vez, não, hein!
Por isso que eu SEMPRE reforço aqui, pessoal: tudo que você digita numa IA pode ir parar nos confins da internet.
Sei que parece alarmismo, mas meu objetivo aqui é ajudar você a usar a tecnologia em SEU favor, e isso requer certos cuidados — falei deles na coluna outro dia, num texto em que contei as sete coisas que você nunca deve digitar no ChatGPT.
Que informações sensíveis digitadas no Claude apareceram no Google?
O caso começou a ganhar repercussão no sábado (25), quando um usuário demonstrou que uma busca restrita às páginas de compartilhamento do Claude devolvia conversas criadas por outras pessoas.
As conversas continham, por exemplo, a senha para uma chave de recuperação de carteira de criptomoedas (que tinha saldo, aliás). Além de currículos, credenciais, conversas sobre possíveis infrações de um advogado, dentre outros, tudo com o primeiro nome da pessoa que compartilhou aquilo.
Na manhã seguinte, boa parte dos resultados havia desaparecido do Google, embora os endereços ainda aparecessem em outros buscadores.
A retirada do Google reduziu a facilidade de encontrar as conversas, mas não tornou as páginas privadas. Os chats continuavam acessíveis para quem possuísse o endereço original.
Como esses dados do Claude foram parar no Google?
Não foi uma invasão aos servidores da Anthropic, empresa criadora do Claude, nem acesso indevido ao histórico privado dos usuários.
As conversas envolvidas haviam sido compartilhadas pelos usuários por meio de um recurso nativo do Claude.
Sabe quando você quer compartilhar um link do Google Drive, daí gera o link? Em alguns casos, tem a possibilidade de aquilo ficar acessível para qualquer pessoa que tiver aquele endereço. Foi algo nessa linha.
No Claude existe uma ferramenta que permite compartilhar conversas. Você aperta um botão e cria uma página com aquele conteúdo. Assim como no link aberto do Drive que mencionei acima, a página fica de pé na internet esperando quem chegar, e chega quem tiver o endereço, tenha sido você quem mandou ou não.
Acontece que o usuário vê “qualquer pessoa com o link”, acha que existe uma camada de privacidade. Tecnicamente, porém, trata-se de uma página pública na internet. Ela não exige senha, login ou autorização do autor. A única barreira é alguém descobrir o endereço.
Basta que o link seja colocado em uma rede social, fórum, repositório público de código ou qualquer outro espaço acessível a rastreadores para que um mecanismo de busca encontre a página.
A pessoa que criou o chat nem sempre precisa ter feito essa publicação. O destinatário pode copiar o link e colocá-lo em outro lugar.
Quer dizer, compartilhar um chat por link está mais próximo de publicar uma página do que de enviar uma mensagem privada.
Vazamento já aconteceu com Claude, ChatGPT e Grok
Esta não é a primeira vez que conversas compartilhadas do Claude chegam aos mecanismos de busca. Em setembro de 2025, o Google indexou cerca de 600 páginas do chatbot, algumas com nomes, e-mails e informações corporativas. Na ocasião, a Anthropic afirmou que não fornecia aos buscadores uma lista de chats compartilhados e que bloqueava o rastreamento dessas páginas.
ChatGPT e Grok também enfrentaram episódios semelhantes no ano passado.
No caso da OpenAI, havia uma opção específica para permitir que uma conversa compartilhada fosse descoberta pelos buscadores. A empresa retirou essa possibilidade depois da repercussão, mas manteve o recurso normal de criação de links.
A repetição do problema em diferentes serviços mostra que a dificuldade não está apenas na tecnologia. Há também uma diferença entre o que as plataformas publicam e o que o usuário acredita estar fazendo.
Será que vazou alguma conversa sua? Como conferir? Veja aqui
Quem já compartilhou conversas no Claude deve entrar em Configurações, acessar Privacidade e abrir a área de Chats compartilhados. A plataforma mostra o título, a data e o endereço de cada conversa publicada. O botão Unshare permite revogar o acesso ao link.
A revisão não deve se limitar às conversas que parecem pessoais. Contratos, atas de reuniões, currículos, informações de clientes, trechos de documentos, estratégias comerciais e códigos internos também podem identificar pessoas ou revelar dados que não deveriam circular publicamente.
Costumo dizer que, em relação à inteligência artificial, vivemos um momento similar aos da sociedade do começo do século XX, quando a eletricidade começou a ser usada com cada vez mais frequência. Em algum momento, aquelas pessoas tiveram de aprender que se você coloca o dedo numa tomada, leva choque. Ou seja, a cada tropeço vamos entendendo melhor o que essas ferramentas podem trazer de bom e quais os cuidados que exigem.
───────────────────────────────────────────────
Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif)